O conceito parecia promissor: tirar carros particulares da rua, reduzir emissões e oferecer mobilidade flexível por minutos. Mas a realidade tem sido teimosa. Por toda a Europa, o negócio do carro partilhado (carsharing) enfrenta dificuldades para se tornar rentável e conquistar escala. E Portugal não é exceção.
Em Lisboa, projetos como a DriveNow (antiga parceria BMW-Sixt) saíram do mercado. A própria EMEL chegou a oferecer carros elétricos partilhados, mas sem grande adesão. As viagens curtas e os custos operacionais elevados – seguros, manutenção, estacionamento, baterias – têm travado o modelo free floating (carros soltos na rua). O resultado é um setor que cresce nuns países, mas definha noutros.
O exemplo mais recente chega de Espanha. A Zity, empresa de carsharing do Grupo Renault, vai encerrar as suas operações em Madrid a 21 de maio. A marca já tinha saído de Paris, Lyon e Milão. Em Espanha, o serviço deixará de existir no formato free floating – os carros já não estarão estacionados na rua para aluguer imediato. O Grupo Renault opta por uma nova estratégia, a Mobilize Share, um aluguer tradicional com recolha e devolução no mesmo local (à moda das rent-a-car).
Apesar do fim da Zity, o setor do carro partilhado em Espanha não está em colapso total: registou 3,89 milhões de viagens em 2024, um crescimento de 3,9%. Com a saída da Zity, quatro concorrentes – Free2Move, Voltio, Guppy e WiBLE – disputam os seus antigos clientes.
Já em Portugal, não há sinal de que o modelo esteja para breve a arrancar em força. O carro partilhado – tal como o título sugere – continua a não pegar.

















