O recente surto de Hantavírus num cruzeiro reacendeu o alerta para um perigo silencioso que pode estar mais perto do que se imagina: dentro de garagens, arrecadações e até carros que passaram muito tempo parados.
Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) mantém vigilância, mas o risco de transmissão autóctone é considerado baixo. Contudo, com o aumento de turismo e de viagens de autocarro, comboio e cruzeiros, a possibilidade de importação de casos não é nula.
Onde pode estar o risco?
O hantavírus é transmitido através de fezes, urina e saliva de roedores infetados. Mesmo quando secos, estes vestígios conservam o vírus ativo durante dias. O problema agrava-se quando se varre ou se levanta pó, inalando partículas contaminadas.
Segundo alguns especialistas, as situações de maior risco podem então ocorrer em garagens ou sótãos há muito tempo fechados; carros abandonados ou parados meses com sinais de ratos.
Em Portugal, embora não haja registo de casos, o aumento de viagens e a circulação de pessoas entre países europeus onde o vírus é mais comum – como Alemanha, França e Bélgica – justificam precaução.
O surto no cruzeiro envolveu a variante andina (vírus dos Andes), que pode ser transmitida entre pessoas, ao contrário das cepas europeias.
Como se proteger na limpeza do carro e da garagem
As autoridades de saúde alemãs e especialistas em medicina tropical recomendam medidas simples, mas fundamentais:
1.Ventilar bem o espaço antes de iniciar qualquer limpeza.
2.Nunca varrer a seco – em vez disso, humedeça as superfícies com um pano húmido ou com uma solução desinfetante.
3.Usar luvas e, se possível, uma máscara FFP2.
4.Evitar aspiradores convencionais – eles levantam pó e espalham partículas virais.
5.Recolher fezes ou cadáveres de roedores com papel húmido ou desinfetante, colocar num saco fechado e deitar fora no lixo comum (nunca tocar diretamente).
6.Lavar bem as mãos após terminar.
7.Atenção redobrada para restos de comida, ração de animais ou sementes guardadas na garagem – são um íman para ratos.
Sintomas e evolução da doença por Hantavírus
O período de incubação varia entre duas a quatro semanas. Os primeiros sintomas assemelham-se aos de uma gripe: febre, dores musculares, cansaço, dores de cabeça e, em casos mais graves, insuficiência renal. Não existe tratamento específico nem vacina amplamente disponível. O suporte clínico centra-se no controlo dos sintomas.
A mensagem dos especialistas é clara: prevenir é mais fácil do que tratar. Antes de abrir aquela garagem fechada há meses ou de limpar o carro velho que serviu de abrigo a ratos, pare um minuto. Areje, humedeça, proteja-se. Pode fazer a diferença.

















