O director criativo da Audi afirma que a era dos ecrãs gigantes está a chegar ao fim. Em conversa exclusiva com o “Top Gear“, revela o caminho para uma nova filosofia, onde a experiência tátil e a identidade alemã serão soberanas.
Num mundo onde os habitáculos se transformaram em salas de cinema sobre rodas, a Audi prepara-se para fazer marcha-atrás. A figura por trás desta revolução silenciosa é Massimo Frascella, o director criativo da marca, que em declarações ao Top Gear lançou um veredicto claro: “Os ecrãs grandes não oferecem a melhor experiência.”
Esta afirmação não é um mero comentário, mas o sinal de um profundo realinhamento filosófico. Num período de transformação para a Audi — com a entrada na Fórmula 1, o regresso de mecânicas icónicas e uma aposta acelerada na electrificação — Frascella defende que o design deve ser o pilar de uma identidade intemporal, não um reflexo de modas passageiras.

O italiano, com um passado notável na Land Rover onde deixou a sua marca em ícones como o Defender, está a desenhar uma nova era para os quatro anéis. Os primeiros indícios surgiram no Audi Concept C, um estudo que parece uma releitura moderna do TT original, e no próprio monolugar de F1 da marca, onde um esquema diagonal em prateado, negro e vermelho comunica uma estética “limpa e pouco recarregada”.
Design como filosofia, e não como acessório
Para Frascella, a essência do design da Audi reside numa contradição aparente: o rigor geométrico aliado a uma emoção profunda. “É essa moderação, essa pureza e clareza que nenhuma outra marca conseguiu replicar”, afirma, sublinhando que esta é uma herança que não se deve perder na busca por aprovação global.
“Quando as marcas tentam agradar a todos, perdem a sua alma”, adverte. “A Audi é global, mas a sua natureza é alemã. É parte do seu ADN.” Esta convicção significa que os futuros modelos, ao contrário de facelifts dos actuais, nascerão já sob esta nova premissa. “Não se pode misturar e combinar. É preciso seguir uma clareza de visão ampla.”
Voltando aos ecrãs no interior, Frascella vai mais longe ao afirmar: “Grandes ecrãs são, muitas vezes, tecnologia pelo simples facto de ser tecnologia. Para nós, a tecnologia deve estar presente quando é necessária, e não de forma intrusiva.”
A sua visão assenta numa sinergia entre o digital e o analógico. Será este o início de uma contracorrente que pode redefinir o luxo automóvel europeu?
Leia ainda no site:
















