As exportações portuguesas de componentes automóveis caíram 6,9% no primeiro trimestre de 2026, para 3.033 milhões de euros, face ao mesmo período do ano anterior.
Os dados, divulgados esta terça-feira pela Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), refletem um “contexto internacional exigente” que continua a penalizar a cadeia de fornecimento.
Apesar da quebra, a AFIA sublinha que os fornecedores nacionais mantêm um peso estratégico na economia, representando 15,4% das exportações portuguesas de bens transacionáveis. Só em março, as vendas externas de componentes atingiram 1.056 milhões de euros, menos 3,2% do que no mesmo mês de 2025 — um desempenho que contrasta com a subida de 10,6% das exportações nacionais de bens no conjunto da economia.
Segundo a associação, esta divergência evidencia que a indústria de componentes “continua pressionada pela evolução da procura nos principais mercados europeus”. A Europa manteve‑se como destino dominante, absorvendo 88,8% das exportações, embora com uma queda de 6,5% face ao ano anterior.
Espanha reforçou o estatuto de principal destino, com 28,1% da quota, seguida da Alemanha (22,5%) e de França (9,5%). No entanto, as vendas recuaram 9,9% para Espanha, 2,7% para a Alemanha, 10,4% para o Reino Unido e 35,4% para os Estados Unidos. Em sentido inverso, aumentaram para França (3,8%), Marrocos (5,8%), Itália (12,4%) e Polónia (19,3%).
Para José Couto, presidente da AFIA, os números do trimestre “confirmam a importância estratégica dos fornecedores da indústria automóvel para a economia portuguesa, mas também mostram que o setor continua a operar num contexto internacional exigente”. O responsável defende que a forte exposição aos mercados europeus torna “essencial reforçar as condições de competitividade da indústria em Portugal”.
A AFIA lembra ainda que a evolução das exportações deve ser lida num quadro de “transformação profunda” da indústria automóvel europeia, marcada pela transição tecnológica, pela pressão sobre custos, pela reconfiguração das cadeias de valor e pela crescente concorrência internacional. Por isso, a associação considera “urgente rever as condições de enquadramento” que permitam às empresas continuar a investir e a responder às exigências dos construtores globais.
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