Às vezes, o sucesso de um produto mede-se não pelos lucros que gera, mas pelo legado que constrói. Foi essa a filosofia por detrás do Lexus LFA, um superdesportivo que a marca japonesa deliberadamente fabricou a prejuízo, transformando-se numa lenda moderna e num marco inestimável para a sua imagem.
Lançada em 1989, a Lexus rapidamente desafiou a hegemonia alemã no segmento premium com o revolucionário LS. Mas para ascender ao panteão dos construtores de automóveis excecionais, precisava de um símbolo de engenharia pura e performance extrema. A resposta foi o “Project Future Apex”, iniciado em 2000, que consumiria uma década e uma quantia astronómica de recursos.
O caminho até ao carro de produção foi repleto de obstáculos. O chassis inicial em alumíno revelou-se inadequado, forçando os engenheiros a reinventá-lo em fibra de carbono – um processo complexo e dispendioso que atrasou o projeto e aumentou exponencialmente os custos.
O motor, um V10 atmosférico de 4.8 litros, batizado 1LR-GUE, foi desenvolvido com os conhecimentos da Toyota na Fórmula 1 e com a perícia da Yamaha. Este motor é uma maravilha de alta rotação, capaz de atingir 9.500 rpm e a sua sonoridade icónica foi meticulosamente composta pelos especialistas do Centro de Tecnologias de Som Avançadas da Yamaha, que esculpiram a admissão e o escape para produzir um rugido inconfundível.
Os números de um “fracasso” financeiro
A produção foi limitada a 500 unidades entre 2010 e 2012, incluindo 64 exemplares da versão extrema Nürburgring Package. Apesar de um preço de venda a rondar os 375.000 dólares nos EUA, estima-se que o custo de produção por unidade ascendesse a 750.000 dólares.
O projeto global consumiu um investimento superior a 800 milhões de dólares, tornando cada LFA um exercício de prejuízo calculado. No entanto, esse “prejuízo” foi, na realidade, o preço de entrada para um clube exclusivo.
O prejuízo transformado em ouro
O LFA cumpriu a sua missão de forma brilhante. Não só demonstrou ao mundo que a Lexus era capaz de rivalizar com a Ferrari, a Lamborghini e a Porsche na engenharia de topo, como criou um objeto de culto. A sua combinação de um motor atmosférico sublime, um chassi de fibra de carbono e uma produção minúscula garantiu-lhe um estatuto mítico.
Hoje, o LFA é um dos carros colecionáveis mais cobiçados da sua era, com valores no mercado secundário a superarem largamente o seu preço original. O prejuízo operacional de então transformou-se num investimento incalculável em prestígio.
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