O primeiro Ferrari 100% elétrico ainda nem chegou às estradas e para espanto dos mais puristas já é um sucesso comercial, estando totalmente esgotado para 2027, numa demonstração de confiança dos clientes na nova era elétrica da marca de Maranello.
A Ferrari anunciou que toda a produção prevista para próximo ano 2027 do novo e polémico Ferrari Luce, o primeiro modelo totalmente elétrico da história da marca italiana, já foi reservada por clientes.
A revelação foi feita por Benedetto Vigna, diretor executivo da Ferrari, durante a apresentação dos resultados financeiros do terceiro trimestre de 2026, segundo a “Reuters”. Apesar da fabricante não divulgar o número exato de unidades previstas para produção no próximo ano, o responsável confirmou que a procura já absorveu toda a capacidade disponível e por isso, os novos clientes terão agora de enfrentar listas de espera que rondam, atualmente, um ano.

Modelo dividiu opiniões, mas conquistou compradores
O anúncio surge poucos meses depois da estreia oficial do Luce, realizada em maio deste ano, uma apresentação que gerou reações contraditórias entre os entusiastas da Ferrari.
O design do primeiro elétrico da marca foi alvo de críticas nas redes sociais e em vários fóruns especializados, com muitos puristas a questionarem a direção estética escolhida pela fabricante italiana.
No entanto, a resposta do mercado parece contar uma história diferente. Segundo Benedetto Vigna, as apresentações privadas realizadas junto de potenciais clientes revelaram uma receção extremamente positiva.
Desde a estreia mundial, a Ferrari promoveu mais de 50 apresentações regionais e eventos exclusivos nos Estados Unidos, Europa, Médio Oriente e região Ásia-Pacífico, além de várias exibições abertas ao público. O resultado está agora à vista: a produção de 2027 encontra-se totalmente esgotada.

Mais de mil cavalos e carregamento a 350 kW
Além de representar uma mudança histórica para a Ferrari, o Luce chega ao mercado com números que o colocam entre os superdesportivos elétricos mais impressionantes da atualidade.
O modelo recorre a quatro motores elétricos capazes de desenvolver uma potência combinada de 1.050 cv. A energia é fornecida por uma bateria de 122 kWh de capacidade bruta, integrada numa arquitetura elétrica de 800 volts, que pode atingir um máximo de 880 volts.
Segundo a marca italiana, o Luce oferece mais de 530 quilómetros de autonomia em ciclo WLTP, acelera dos 0 aos 100 km/h em apenas 2,5 segundos e atinge uma velocidade máxima de 310 km/h. O sistema de carregamento rápido permite potências até 350 kW em corrente contínua, reduzindo significativamente os tempos de carregamento.

Ferrari mantém aposta na eletrificação
O sucesso comercial do Luce surge numa altura em que a Ferrari continua a apresentar resultados financeiros sólidos. Durante o terceiro trimestre de 2026, as receitas cresceram 7%, atingindo os 1,896 mil milhões de euros, enquanto o lucro operacional aumentou 12%, para 563 milhões de euros.
A marca atribui esta evolução ao lançamento de novos modelos, às entregas do exclusivo Ferrari F80 e ao crescente peso dos programas de personalização, uma das áreas mais lucrativas do negócio. A carteira de encomendas da fabricante italiana estende-se atualmente até 2028, refletindo a elevada procura pelos seus modelos.
Elétricos serão apenas uma parte da gama
Apesar da forte procura registada pelo Luce, a Ferrari não pretende tornar-se uma marca exclusivamente elétrica. A estratégia definida para 2030 prevê uma oferta diversificada, onde os veículos totalmente elétricos representarão cerca de 20% da gama, enquanto os modelos híbridos e os automóveis equipados com motor de combustão continuarão a ter um peso significativo, representando aproximadamente 40% cada.
Para a Ferrari, o futuro passa pela coexistência de diferentes tecnologias de propulsão, mantendo a liberdade de escolha que caracteriza os clientes da marca.

Leia também:















