A União Europeia (UE) e a China estarão próximas de alcançar um entendimento que poderá reduzir as tensões comerciais em torno da importação de automóveis produzidos no gigante asiático.
Segundo avança esta quinta-feira a publicação alemã “Automobilwoche”, as duas partes já terão definido as bases de um acordo que prevê a limitação das importações de veículos híbridos chineses e poderá abrir caminho à eliminação das tarifas adicionais atualmente aplicadas aos automóveis elétricos.
O entendimento surge numa altura em que Bruxelas procura equilibrar a proteção da indústria automóvel europeia com a necessidade de evitar uma escalada das disputas comerciais com Pequim, um dos seus principais parceiros económicos.
Bruxelas admite substituir tarifas por preços mínimos
Desde o final de 2024 que a União Europeia aplica tarifas adicionais aos automóveis elétricos fabricados na China. Estas sobretaxas variam entre 7,8% e 35,3%, às quais se junta a taxa de importação normal de 10%.
Os direitos aduaneiros mais elevados foram aplicados aos construtores que não colaboraram plenamente com a investigação da Comissão Europeia sobre eventuais subsídios estatais concedidos pelo Governo chinês ou que forneceram informações consideradas insuficientes durante o processo.
De acordo com a “Automobilwoche”, a Comissão Europeia está agora a analisar uma alternativa às tarifas atuais. Em vez das sobretaxas, Bruxelas poderá avançar para um sistema de preços mínimos aplicáveis aos veículos elétricos importados da China.
A proposta está a ser avaliada como uma forma de compensar eventuais vantagens decorrentes dos apoios estatais chineses, sem recorrer a medidas tarifárias adicionais. A análise terá em conta diferentes fatores, incluindo os modelos comercializados, as respetivas versões e os canais de distribuição utilizados pelos fabricantes.
Limite para híbridos poderá entrar em vigor em 2027
Além da possível revisão das tarifas sobre os elétricos, as negociações entre Bruxelas e Pequim incluem também a definição de um teto para as importações de veículos híbridos chineses.
Segundo a publicação alemã, está em discussão um limite de 350 mil unidades por ano, a aplicar a partir de 2027. A medida pretende responder ao crescimento da presença dos construtores chineses no mercado europeu, sem bloquear completamente o acesso destes fabricantes ao continente.
O mesmo relatório refere ainda que um acordo de princípio sobre o futuro das tarifas aplicadas aos automóveis elétricos poderá ser alcançado até março de 2027.
Embora ainda não exista uma decisão final, os contactos entre as duas partes indicam uma aproximação de posições que poderá redefinir as regras para a entrada de veículos chineses na Europa e aliviar uma das mais importantes disputas comerciais atualmente em curso no setor automóvel.
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