O Dacia Sandero voltou a destacar‑se entre as preferências dos portugueses e foi o automóvel ligeiro de passageiros mais vendido em agosto. Mas, apesar do sucesso, a fórmula vai mudar e já está confirmada uma nova geração elétrica para 2028: preço baixo para travar ofensiva chinesa
A Renault e a sua subsidiária Dacia acabam de confirmar, em entrevista exclusiva ao britânico Auto Express, o lançamento da nova geração do Sandero para 2028. A grande novidade será a estreia de uma versão 100% elétrica, mas o foco mantém-se inalterado: oferecer um dos modelos mais acessíveis do mercado europeu, num claro movimento para travar a crescente concorrência dos fabricantes chineses que têm invadido o Velho Continente com propostas elétricas de baixo custo.
Plataforma e engenharia: duas vias em estudo para baratear o modelo
Para garantir que o futuro Sandero EV mantenha a sua reputação de preço imbatível, a equipa de engenharia do grupo francês está a avaliar duas abordagens técnicas distintas. A primeira passa por uma evolução profunda da atual arquitetura CMF-B, adaptada para receber packs de baterias sem comprometer a habitabilidade ou aumentar significativamente os custos de produção. A segunda opção é recorrer a componentes e módulos já utilizados nos modelos elétricos compactos do grupo, partilhando soluções tecnológicas para diluir investimentos e acelerar o desenvolvimento.
Em qualquer um dos cenários, a estratégia é clara: autonomia e potência terão limites propositadamente definidos para o uso predominantemente citadino e periurbano. As versões de entrada deverão equipar baterias de menor capacidade, o que, aliado a motores menos potentes, permitirá conter os custos finais e posicionar o modelo como uma alternativa prática e económica aos rivais asiáticos, como o BYD Dolphin ou o MG 4.
Stepway mantém-se e motores a combustão sobrevivem na transição
A versão aventureira Stepway, que há muito conquistou fãs pelo visual robusto e maior versatilidade, continuará presente no catálogo da nova geração. Contudo, as alterações serão maioritariamente estéticas, com modificações direcionadas ao segmento dos utilitários desportivos compactos, mantendo a receita que tem funcionado bem nas estradas europeias.
Num sinal de pragmatismo face à realidade dos diferentes mercados, a Renault não vai colocar todos os ovos no mesmo cesto elétrico. A nova geração do Sandero será oferecida com um leque diversificado de motorizações, mantendo em paralelo versões com motores a combustão e sistemas híbridos. Esta abordagem híbrida (no sentido literal e figurado) permitirá à marca ajustar a oferta ao ritmo da transição energética e da evolução da infraestrutura de carregamento em cada país europeu, garantindo que o modelo continua a ser uma opção viável para todos os bolsos, independentemente do estado da mobilidade elétrica na região.














