A Tesla afirma que a sua tecnologia de condução autónoma supervisionada (FSD) registou 4,1 vezes menos colisões do que os veículos conduzidos manualmente nos cinco países europeus onde o sistema é atualmente permitido.
Os dados da Tesla revelados pela “Reuters” surgem num momento estratégico: o fabricante norte‑americano intensifica o lobby antes da votação que poderá determinar uma expansão do FSD em toda a União Europeia.
Recorde-se que em abril, os Países Baixos tornaram‑se o primeiro Estado‑membro a aprovar provisoriamente o sistema Full Self‑Driving (FSD). Mais tarde seguiu-se a Bélgica, Dinamarca, Estónia e Lituânia, preparando desta forma o terreno para uma decisão europeia mais ampla.
Segundo a Tesla, as conclusões baseiam‑se em mais de 100 milhões de quilómetros percorridos entre abril e agosto nesses cinco países. Nesse período, veículos equipados com FSD estiveram envolvidos em três colisões em autoestrada e nove em estradas secundárias, contra 137 e 490 acidentes, respetivamente, envolvendo veículos conduzidos manualmente.
Contudo, a “Reuters” já tinha revelado que a Tesla apresentou aos reguladores europeus estatísticas que, segundo especialistas, assentariam em comparações inválidas, potencialmente criando uma perceção enganosa sobre o desempenho do sistema.
A empresa publicou também um painel de segurança de código aberto, alegando que este foi partilhado com reguladores europeus em abril.
“Na preparação para uma possível votação de aprovação em toda a UE, decidimos disponibilizar em código aberto uma das principais evidências usadas na aprovação nos Países Baixos”, afirmou a Tesla.
A marca solicita agora à UE uma aprovação mais ampla do FSD, indicando que a votação poderá ocorrer já a 6 de outubro. Para avançar, a proposta a Tesla precisa do apoio de pelo menos 15 dos 27 Estados‑membros, representando 65% da população europeia.
O processo tem sido alvo de críticas devido à falta de transparência, depois de reguladores europeus — incluindo a autoridade rodoviária holandesa RDW — recusarem divulgar os dados de segurança que sustentaram a aprovação inicial, alegando tratar‑se de informação comercialmente sensível.
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