Nos últimos dois anos, o número de reclamações sobre carros elétricos disparou em Portugal. Segundo dados do Portal da Queixa, entre janeiro e julho de 2024 registaram-se 75 queixas. No mesmo período de 2026, esse número saltou para 205 – um aumento de 173%. Só face a 2025, o crescimento foi de 92%.
Mas o que está a motivar tanta insatisfação? A resposta não está no motor nem na bateria. Mais de 70% das reclamações concentram-se em problemas de reparação, manutenção, atendimento e qualidade do serviço prestado pelas marcas e concessionários.Questões sobre o produto em si, como segurança e qualidade, representam apenas 16%.
E qual é a marca mais visada? A chinesa BYD lidera, com 17% das queixas, seguida de perto pela Tesla, com 15%.
Geograficamente, Lisboa e Porto concentram mais de metade das reclamações (55,8%).
Apesar do volume crescente de queixas, a satisfação dos consumidores até melhorou ligeiramente – passou de 3,15 para 3,30 (numa escala de 5), segundo o mesmo relatório.
Para Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa, o dado mais revelador é este: “o desafio da mobilidade elétrica já não está apenas no produto, mas também na experiência de pós-venda”. Ou seja, o problema atual não é comprar um elétrico – é lidar com ele depois da compra.
















