A norte-americana General Motors (GM) e a estatal chinesa SAIC renovaram por mais 20 anos a joint venture que mantêm na China, reforçando a presença no maior mercado automóvel do mundo num momento em que a concorrência local nunca foi tão intensa.
O prolongamento do acordo, anunciado na terça‑feira, surge após uma profunda reestruturação da GM no país — marcada pelo fecho de fábricas e pela eliminação de vários modelos — e representa a resposta da marca norte‑americana à pressão crescente de fabricantes chineses como a BYD, tanto no mercado interno como nos principais destinos de exportação.
Segundo a “Reuters“, os novos termos permitem à GM exportar Buicks e Cadillacs produzidos na China para o Médio Oriente, África, América do Sul, México e vários mercados asiáticos. As primeiras unidades serão da gama Buick Electra, desenvolvida integralmente na China e com início de exportação previsto para este ano.
A SAIC afirma que a renovação da parceria permitirá que a “inovação local da China seja partilhada globalmente”, enquanto fontes industriais chinesas, citadas pelo portal Sohu, apontam para o lançamento de cerca de 30 novos modelos elétricos das marcas Buick e Cadillac, além do desenvolvimento de tecnologias inteligentes.
O acordo evidencia também a dificuldade da GM em reduzir a dependência da China — seja em receitas, produção de baixo custo ou know‑how tecnológico — num contexto de tensões geopolíticas persistentes.
Entre 2010 e 2023, a China foi o maior mercado da GM. Mas a ascensão meteórica dos fabricantes chineses de veículos elétricos e a transformação acelerada do setor fizeram a empresa passar de lucros anuais na ordem dos 2.000 milhões de dólares (1.734 milhões de euros) entre 2014 e 2018 para dois anos consecutivos de prejuízos, em 2024 e 2025.
A quota de mercado da GM caiu de 14,9% em 2015 para 6,8% no final do primeiro semestre deste ano. Em 2025, a marca vendeu 1,9 milhões de veículos, menos 50,9% do que no pico de 2016.
Com esta renovação, a GM junta‑se a outros fabricantes estrangeiros — como a Volkswagen e a Honda — que também reforçaram as parcerias com grupos chineses, apesar da desaceleração económica e da pressão das marcas locais, cada vez mais focadas nas exportações.
Criada em 1997, a joint venture SAIC‑GM nasceu como uma parceria 50/50 para produzir e comercializar na China modelos Buick, Cadillac e Chevrolet. Agora, com mais 20 anos garantidos, prepara‑se para entrar numa nova fase — e tudo indica que não será apenas para defender terreno, mas para tentar recuperá‑lo.
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