Os Estados Unidos estão a apertar o cerco à indústria automóvel norte‑americana com a proibição do uso de software e hardware de origem chinesa nos veículos vendidos no país.
A publicação especializada “L’Automobile Magazine” recorda que as regras — adotadas durante a administração Biden e mantidas pela administração Trump por motivos de segurança nacional e proteção de dados — impõem um calendário apertado para o fim da tecnologia chinesa: o software de conectividade deixa de ser permitido já nos modelos de 2027, enquanto o hardware embarcado, incluindo chips, módulos e controladores eletrónicos, será totalmente proibido até 2030.
A medida atinge o núcleo da arquitetura eletrónica dos veículos modernos e obriga os fabricantes a uma verdadeira corrida contra o tempo para substituir fornecedores, redesenhar plataformas e garantir que os futuros modelos cumprem os requisitos de rastreabilidade exigidos por Washington.
Uma reestruturação sem margem para erro
Para a indústria automóvel norte‑americana, o maior desafio é cumprir prazos que colidem com os ciclos de desenvolvimento dos veículos, obrigando à revisão de modelos já planeados ou em fase avançada de engenharia.
O risco é real: modelos que não cumpram as novas regras poderão ser proibidos no mercado norte‑americano. A Polestar já confirmou que não irá recorrer da decisão que impede a entrada de novos modelos nos EUA. A marca sueca, controlada maioritariamente pela chinesa Geely Holding, esclareceu que continuará a vender os atuais Polestar 3 e Polestar 4, mantendo o acesso à rede de assistência. Ainda assim, a impossibilidade de lançar novos modelos representa um golpe significativo na estratégia global da empresa.
China acusa Washington de violar princípios de mercado
A reestruturação industrial norte‑americana não passou despercebida em Pequim. O Ministério das Relações Exteriores da China já pediu aos EUA que “respeitem as leis da economia de mercado e os princípios da concorrência leal”.
A reação é vista como irónica por analistas ocidentais, tendo em conta que a indústria chinesa beneficia há décadas de subsídios governamentais massivos, um tema que a Europa tem denunciado repetidamente no contexto dos veículos elétricos.
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