Já lá vão 40 anos desde que a Honda decidiu que não bastava fazer motores, carros e motor, e que esteva na hora de “ensinar” uma máquina a andar de pé como os humanos. E não estou a falar de um brinquedo ou de uma experiência de laboratório esquecida numa prateleira. Estou a falar do E0, o primeiro ensaio para um robô humanoide bípede que a marca japonesa apresentou em 1986!

Seguiram-se várias versões, mas as formas reais e completas do que seria o primeiro Honda a andar de pé como os humanos seriam apenas conhecidas em 1996, com o P2, que, três décadas depois, acaba de ser distinguido com um dos maiores galardões que a engenharia mundial tem para oferecer: o cobiçado ‘Milestone’ do IEEE.
O Instituto de Engenheiros Eletrotécnicos e Eletrónicos, essa gigante organização com mais de meio milhão de membros espalhados por 190 países, não atribui este reconhecimento a qualquer um. Para ser digno de um Milestone, é preciso ter pelo menos 25 anos de existência, ter mexido com a indústria e com a sociedade, e ter aberto caminhos que ninguém tinha trilhado antes.
E o P2 fez exatamente isso. Numa altura em que o mundo da robótica estava obcecado com rodas ou com quatro patas, a Honda apostou tudo numa arquitetura bípede, à escala humana, e conseguiu o que muitos diziam ser impossível: uma marcha natural, fluída, capaz de se adaptar a pisos irregulares, a inclinações e até a escadas, com um algoritmo de controlo que, na época, era pura ficção científica.
Tubo de ensaio para o ASIMO
As tecnologias que a Honda desenvolveu ao longo deste percurso não morreram no P2. Muito pelo contrário. Elas foram o embrião do ASIMO, o robô mais famoso da marca, que chegou em 2000 com uma marcha ainda mais suave e natural, e que encantou o mundo com a sua capacidade de correr, saltitar e até servir bebidas. E a herança continua viva hoje, aplicada a braços robóticos com dedos, a aviões elétricos de descolagem vertical, a robôs-avatar controlados à distância, e até a veículos espaciais. A ambição da Honda nunca foi fazer um brinquedo caro. Foi construir uma base tecnológica que pudesse crescer e ramificar-se para todas as áreas onde a mobilidade e a inteligência se cruzam. Veja no vídeo abaixo como tudo evoluiu.
Fonte: Honda Brasil















