E eis que a brincadeira viral nas redes sociais de alguém que jurava a pés juntos que tinha pago na bomba para encher os pneus do carro com ar premium (para grande surpresa do “apanhado”), está a tornar-se realidade.
Já há postos de combustível em Portugal a exigir pagamento por dois serviços que, durante décadas, foram considerados parte da cortesia básica ao cliente: águas e ar para os pneus. E a tendência é para que esta prática se expanda.
A justificação apresentada pelos operadores é dupla: de um lado, o combate ao uso abusivo e ao vandalismo. Máquinas de ar que ficam ligadas horas sem fim, mangueiras danificadas de propósito, botões partidos — tudo isto representa custos de manutenção que, até agora, eram absorvidos pelas gasolineiras. Do outro lado, a necessidade de oferecer equipamentos mais fiáveis e precisos, capazes de calibrar corretamente a pressão dos pneus, o que tem um custo de instalação e conservação.
Vandalismo e uso irresponsável. Por uns, pagam todos
O modelo não é uma invenção portuguesa. Em vários países europeus, como nos Países Baixos, no Reino Unido e em Espanha, já é comum pagar para encher os pneus ou para ter acesso a água desmineralizada. Também no Canadá esta realidade está instalada há anos. Portugal está, portanto, a seguir um caminho já trilhado.
A prática abrange, para já, um número reduzido de postos — experiências-piloto em áreas específicas. Mas nada impede que se generalize. E a verdade é que a lei não obriga os postos de abastecimento a fornecer ar ou água gratuitamente. Estes serviços são considerados um extra, um benefício opcional que cada operador decide oferecer ou não, e em que condições.
Para o condutor comum, a mudança pode parecer pequena — afinal, são poucas dezenas de cêntimos por utilização. Mas o simbolismo é grande: aquilo que sempre foi gratuito começa a ter preço. E o gatilho para esta viragem não foi apenas a ganância das empresas, mas também o comportamento de quem transformou um serviço de boa fé num motivo de abuso.















