O melhor de um SUV com o aspeto desportivo de uma berlina: o Sealion 7, um dos últimos lançamentos da marca chinesa, representa uma espécie de “tudo em um” com apresentação premium, amplo equipamento, tecnologia… E, para rematar, uma potente combinação elétrica de 530 CV e elevadas prestações. Será este o melhor BYD à venda?

A chegada da BYD ao nosso país não foi casual nem efémera. O fabricante oriental entrou com força, como no resto da Europa, e cada vez é mais fácil ver um concessionário da marca. É fundamental expandir a rede para que seja visível e que o cliente possa aproximar-se e tocar ao vivo nos carros. É claro que não faria sentido se não houvesse suporte no produto, e acreditamos que este Sealion 7, uma espécie de grande SUV desportivo, é atualmente o produto que melhor exemplifica onde a BYD quer chegar.
Embora o seu catálogo contemple automóveis mais pequenos e acessíveis, como os Dolphin (compacto com 4,29 metros de comprimento), Atto 2 (SUV com 4,32) e Atto 3 (SUV com 4,46 metros), destinados a ser os mais procurados da marca, no topo encontramos os grandes SUV Tang (quase cinco metros e sete lugares) e o Han (outro gigante em formato sedan). No meio posiciona-se o SUV Seal U (4,79 metros, único que além de elétrico também está disponível com tecnologia híbrida plug-in) e o Seal, berlina anti Tesla Model 3, e a que mais se conecta com este Sealion 7.

Com ele, partilha a arquitetura e a proposta mecânica: versões com um único motor, 313 CV e tração traseira, face a versões todo-poderosas de 530 CV que acrescentam um propulsor dianteiro de 217 CV e tração total. Para continuar a elevar a aposta, o acabamento Excellence desta unidade também sobressai com a maior bateria da gama, 91,3 kWh, contra os 82,5 dos seus irmãos. No aspeto técnico, a BYD volta a destacar-se com a sua Blade Battery LFP (fosfato de ferro-lítio) integrada no chassis do veículo (Cell to Body).
Maior autonomia
Questões tecnológicas à parte, teoricamente é o Sealion 7 que oferece a maior autonomia: 502 km em ciclo combinado e até 616 em cidade. No entanto, acontece sempre o mesmo: não é fácil atingir estes números, como em outros construtores. O seu consumo não nos deixou dados muito precisos, fruto de um computador de bordo algo escasso, que apenas mede os últimos 50 km ou o total percorrido com o carro, sendo mais fiáveis os kWh gastos indicados no final de cada viagem. Em percursos de autoestrada, mantendo 120 km/h, é difícil descer dos 23 kWh/100, dado que, obviamente, diminui em estrada nacionais ritmos mais lentos. Ou seja, autonomias reais a rondar os 400 km.
À margem disto, há dois elementos a favor: inclui bomba de calor de série (utiliza o calor residual do veículo), o que se traduz numa eficiência mais homogénea independentemente da temperatura; e a potência de carga em corrente contínua é elevada, 230 kW para carregar de 10-80% em apenas 24 minutos. As outras duas versões ficam-se por uns mais discretos 150 kW.
No outro lado da balança, os seus 530 CV e 690 Nm de binário máximo são marcantes, como seria de esperar. Tem potência de sobra e despacha os 0 aos 100 km/h em somente 4,5 segundos (dado que curiosamente aparece na traseira do carro), enquanto a velocidade máxima é de 215 km/h. A aceleração é muito intensa, mas a experiência de condução melhoraria com um pouco mais de precisão ao pisar o pedal: quando se acelera com veemência e se solta revela um pequeno atraso até começar a perder velocidade. E isso acontece nos dois modos de travagem regenerativa, selecionáveis através de um botão na consola ou no ecrã, que também inclui um comando para escolher entre quatro programas de condução: Snow, Eco, Normal e Sport. E há mais parâmetros personalizáveis, como o assistente de travagem (traduzido pelo sistema como Conforto ou Desporto) e outros dois para a dureza da direção, ambos desde o menu do sistema de infoentretenimento.

Este BYD responde a uma abordagem Premium, e reflete isso sem discussão numa condução muito suave e agradável, sem nada a invejar às marcas de prestígio mais conceituadas. Juntamente com o temperamento que exibe o seu duplo motor, o Sealion faz gama de elevado conforto, apesar de manifestar algum ruído aerodinâmico na zona dos espelhos quando a alta velocidade.
Condução apelativa
Equipa suspensão adaptativa que trabalha com mais firmeza a baixas velocidades do que altas. Deste modo, ao passar por uma junta de dilatação, lombas ou imperfeições do asfalto, o carro parece bastante estável. Depois, numa condução mais rápida, em autoestradas ou curvas sinuosas, a carroçaria demora mais tempo a estabilizar, principalmente quando se pisa, por exemplo, um obstáculo na estrada. Ou seja, permite uma utilização despreocupada, mas desde logo não desportiva, ainda mais se tivermos em atenção que face à berlina Seal acrescenta 30 mm no comprimento e 160 mm na altura alta. Tudo sem perder de vista o peso, bem distribuído na base, mas de 2.435 kg.

Para terminar o plano dinâmico, a direção não é tão leve (sensação de pouca força ao virar) como em modelos comparáveis, o controlo de estabilidade ESC é desligável, inclui controlo de descidas (a altura livre ao solo é de 160 mm, pelo que as incursões fora de estrada terão de ser limitadas) e há um detalhe técnico que passa despercebido, porque está escondido num dos muitos menus do sistema. Referimo-nos ao iTAC, distribuição inteligente do binário exclusiva do Sealion 7 AWD, cuja função não se encontra no submenu específico “Chassis”, mas noutro que responde pelo título “Energia”.
O resto, convence
Em todo o caso, o habitáculo do Sealion 7 é generoso em tamanho (posição um pouco elevada ao volante, excelente espaço para as pernas na segunda fila, piso plano atrás, grandes compartimentos porta-objetos…) e está executado com cuidado nos materiais e ajustes. Ao mesmo tempo, a dotação de série é de topo (ver ficha), sem opcionais.
E, como é habitual, a BYD equipa o Sealion 7 com um enorme ecrã central que pode girar eletricamente, com boa resolução e resposta rápida, personalizável… O comando do ar condicionado, sempre a partir do ecrã, pode ser feito com ações táteis sem recorrer ao menu correspondente: deslizando três dedos na vertical varia a temperatura e para os lados, a potência do ar.
Texto Juan P. Esteban
Fotos Paulo Calisto

CONCLUSÃO
Parece-nos um dos BYD de topo mais equilibrados em termos de espaço a bordo, prestações, equipamento… Move-se com grande requinte e potência mecânica, mas deixa-nos algumas dúvidas no que diz respeito ao consumo.
FICHA TÉCNICA
BYD SEALION 7 EXCELLENCE AWD
TIPO DE MOTOR Elétricos 2, síncrono de íman permanente
POTÊNCIA 530 CV (390 kW)
BINÁRIO MÁXIMO 690 Nm
TRANSMISSÃO Integral, caixa de relação única
BATERIA Fosfato de ferro-lítio, 91,3 kWh
AUTONOMIA (WLTP) 502 km (606 km na cidade)
TEMPO DE CARGA 24 min. a 230 kW CC (10-80%)
VELOCIDADE MÁXIMA 215 km/h
ACELERAÇÃO 4,2 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO (WLTP) 22,0 kWh/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 (WLTP) 0 g/km
DIMENSÕES (C/L/A) 4.830 / 1.925 / 1.620 mm
PNEUS 245/45 R20
PESO 2.435 kg
BAGAGEIRA 520-1.789 l (+58 l à frente)
PREÇO 56.490 €
GAMA DESDE 47.990 €
I.CIRCULAÇÃO (IUC) 0
LANÇAMENTO Janeiro de 2025





















