A Porsche anunciou esta quarta-feira, que terminou 2025 com uma queda histórica nos resultados financeiros. O lucro líquido recuou para 310 milhões de euros, o que representa uma quebra de 91,4% face ao ano anterior, penalizado por custos extraordinários associados à redefinição da estratégia de produto e pelo agravamento das tarifas impostas pelos EUA.
Os números divulgados mostram igualmente um colapso no lucro operacional, que caiu para 410 milhões de euros, longe dos 5.640 milhões registados em 2024 — uma descida de 92,7%. Já a rentabilidade operacional sobre as vendas ficou limitada a 1,1%, quando no ano anterior atingira 14,1%.
Custos extraordinários pesam na performance
A pressionar os resultados da fabricante alemã estiveram 3.900 milhões de euros em despesas extraordinárias relacionadas com a nova orientação estratégica, que prevê a extensão da vida dos modelos com motor de combustão e o abandono de alguns projetos de elétricos. A estes custos somam‑se mais 700 milhões de euros pela liquidação da sua subsidiária de baterias e outros 700 milhões resultantes dos direitos aduaneiros aplicados pelos EUA. No negócio automóvel — excluindo serviços financeiros — o lucro operacional ficou reduzido a 90 milhões de euros.
O volume de negócios também recuou, fixando‑se em 36.270 milhões de euros, menos 9,5% do que em 2024. As entregas globais diminuíram 10,1%, para 279.449 unidades, refletindo um abrandamento generalizado da procura. O fluxo de caixa líquido da divisão automóvel caiu para 1.510 milhões de euros, face aos 3.730 milhões do ano anterior.
Dividendos recuam para menos de metade
Perante este cenário, a administração e o conselho fiscal da Porsche vão propor à assembleia‑geral a distribuição de um dividendo de 1 euro por ação ordinária e 1,01 euros por ação preferencial, menos de metade do valor pago no exercício anterior.
Jochen Breckner, diretor financeiro e de tecnologia da informação, reconheceu que “os desafios globais e a nova orientação da empresa prejudicaram o resultado de 2025”.
2026 traz mais incertezas
A Porsche antecipa um novo ano complexo. Na China, o maior mercado automóvel do mundo, as vendas da marca germânica caíram 26% em 2025, pressionadas pelo colapso do segmento de luxo e pela forte concorrência nos modelos elétricos chineses. A empresa espera que estas dificuldades persistam ao longo de 2026.
A marca prevê ainda que as tensões geopolíticas e a política tarifária dos EUA continuem a afetar o negócio. Nesse sentido, para 2026, a Porsche estima uma rentabilidade operacional entre 5,5% e 7,5%, com uma faturação situada entre 35.000 e 36.000 milhões de euros.
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