O Adamastor Furia vai subir a rampa do Caramulo e, com o rugido do seu motor, vai levar-nos a todos no bolso. É um momento de orgulho colectivo. É ver uma semente de sonho germinar num projeto potente, nascido no Porto. É, sem dúvida, para ficar na história.
Mas é uma história com um capítulo anterior, glorioso e cheio de… terra.
Porque meia dúzia de décadas antes do Furia, Portugal já produzia outro fora de série. Um que não fazia pose em salões: fazia trabalho. Não deslizava sobre alcatrão imaculado: rasgava trilhos de serra abaixo. Não era um supercarro, ok, era um carro super!
Chamava-se UMM.
Enquanto outras marcas deleitavam-se com linhas aerodinâmicas, a UMM (União Metalo-Mecânica) desenhava uma caixa. Uma caixa de ferro, resistente, honesta e notavelmente portuguesa. Era o veículo que fazia o que poucos no mundo faziam: era o carro de família do domingo, o carro de trabalho do empresário agrícola na segunda-feira, e o cavalo de batalha de todo-o-terreno no sábado de aventura.
Havia UMM a servir de ambulância em terrenos impossíveis, UMM a levar os pescadores às falésias, UMM em Dakar, a competir no maior rali do mundo com a bandeira portuguesa ao vento. Era, na sua essência, um veículo de missão possível. E era nosso.
O Furia e a UMM são filhos de Portugal em eras diferentes, com ambições opostas. Um é um projeto de paixão e performance, um “statement” de que podemos brincar no campeonato dos sonhos exóticos. O outro foi um projeto de necessidade e engenho, uma prova de que podíamos contar com nós próprios para chegar a todo o lado.
Um é a expressão de um Portugal moderno, ambicioso e tecnologicamente ousado. O outro era a alma de um Portugal prático, resistente e profundamente capaz.
Por isso, sim, o Adamastor Furia deve encher-nos de orgulho, e prepara-se para a sua estreia dinâmica absoluta frente ao público no Caramulo Motor Festival, de 5 a 7 de setembro. Já tem planos para o fim de semana?
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