Seis milhões de euros dá direito a muito. Mas há uma coisa que esse dinheiro não compra: um Bugatti Mistral com zero quilómetros.
Seis milhões de euros dá direito a muito. O rugido do lendário motor W16 de 8,0 litros. O orgulho de ter um dos descapotáveis mais exclusivos e rápidos do planeta. Um de apenas 99 Bugatti Mistral alguma vez fabricados.
Mas há uma coisa que esse dinheiro não compra: um carro com zero quilómetros no painel de instrumentos.
Quando o novo proprietário se senta ao volante do seu Mistral. Alguém, algures, já esmagou o acelerador até aos 300 km/h e já fez com ele, no mínimo, 450 km.
A explicação chama-se controlo de qualidade. A Bugatti, que já não é propriamente uma marca para gente despreocupada com orçamentos, leva esse conceito ao extremo. Cada Mistral é submetido a uma bateria de testes rigorosos antes de ser entregue. E não são voltinhas de treta ao domingo. Falamos de acelerações a fundo, travagens de emergência a alta velocidade (com verificação dos sistemas ESP e ABS) e, claro, a famosa passagem pelos 300 km/h.
Ritual de estrada
O palco destas provas não é uma autoestrada qualquer. A marca italiana — sim, italiana, porque a Bugatti hoje faz parte do grupo que também tem a Rimac — utiliza um troço de um aeródromo no aeroporto de Colmar, no nordeste de França. Lá, os três únicos pilotos autorizados a tocar nos Mistral antes dos clientes põem à prova a transmissão automática de dupla embraiagem de sete velocidades, o mecanismo do tejadilho amovível e tudo o mais que possa chiar ou falhar.
Se os técnicos detectarem o mais pequeno problema, por mais insignificante que pareça, o hiperdesportivo volta à oficina. Depois de corrigido, sai novamente para a estrada — mais 50 km de verificação, pelo menos. A verdade é que este ritual transforma cada Mistral num carro “usado” antes de ser novo. Mas há uma certa poesia na ideia: ninguém recebe um Bugatti embalado em celofane. O que se recebe é uma máquina já amaciada, provada, abençoada pela estrada.
















