A escalada do conflito no Irão deverá refletir‑se nos preços dos combustíveis em Portugal caso a tendência de subida das cotações internacionais do petróleo se mantenha até ao final da semana. O alerta foi deixado esta quarta‑feira por António Comprido, secretário‑geral da EPCOL — Associação das Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes — em declarações à agência “Lusa“, citadas pela “RTP“.
O responsável destacou que as cotações do crude, da gasolina e do gasóleo registaram “um aumento expressivo” nos últimos dias, acompanhando a crescente tensão no Médio Oriente. Segundo António Comprido, esta evolução poderá traduzir‑se num “agravamento significativo” dos preços de venda ao público.
O mecanismo de formação dos preços dos combustíveis em Portugal segue, regra geral, a média das cotações da semana anterior, o que significa que, se a tendência de subida se prolongar, o impacto será sentido pelos consumidores já na próxima semana.
“Se se mantiver esta alta de preços ao longo desta semana — e infelizmente os acontecimentos no Irão não anteveem nada de bom — inevitavelmente isso vai repercutir‑se nos preços de venda ao público em Portugal”, afirmou o secretário‑geral da EPCOL, sublinhando que o efeito será global.
Questionado sobre a dimensão do eventual aumento, António Comprido admitiu ser cedo para avançar com valores concretos, mas reconheceu que o impacto poderá ser significativo. “A gasolina e o gasóleo subiram substancialmente, mais até do que o crude”, observou.
Sobre a possibilidade de o Governo avançar com medidas para mitigar a subida, o responsável recordou que, durante a crise energética provocada pela invasão da Ucrânia, a União Europeia autorizou medidas excecionais, nomeadamente ao nível fiscal. No entanto, disse não ter qualquer indicação de que o executivo português esteja a preparar uma intervenção semelhante.
“A ferramenta existe sempre, que é mexer na carga fiscal. Agora, se o Governo está em condições ou tenciona fazer isso, não tenho indicação nesse sentido”, afirmou.
Na segunda‑feira, o ministro da Economia já tinha reconhecido que o aumento do preço do petróleo “não é uma boa notícia” e garantiu que o Governo tomará “as medidas adequadas” caso a evolução do mercado o justifique.
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