O Mercedes-Benz CLA conquistou o cobiçado título europeu de Carro do Ano de 2026. Com uma vitória clara e 320 pontos, o modelo seduziu o júri ao encapsular o luxo acessível, a tecnologia de ponta e uma eficiente eletrificação (nas versões híbrida e totalmente elétrica) num pacote de design arrojado. Mas, como em toda a competição, a história completa está nos detalhes da votação e nos nomes que não subiram ao pódio máximo.
Os “quase-lá” e o duelo apertado pelo pódio
A verdadeira batalha foi pelo segundo lugar, decidida por uma margem mínima. O Skoda Elroq, com 220 pontos, posicionou-se como o rival mais direto ao conceito de “valor pelo dinheiro”. Este SUV elétrico compacto impressionou com o seu espaço interior inteligente e uma proposta técnica sólida e sem surpresas negativas. Já o Kia EV4 (208 pontos) foi a surpresa agradável, conquistando os jurados com um design radicalmente futurista. A diferença ínfima para o terceiro lugar do Citroën C5 Aircross (207 pontos) mostra como estes três modelos dividiram opiniões, cada um a brilhar numa área diferente: pragmatismo, ousadia e conforto.
Mais longe do que se esperava: os favoritos que não descolaram
Na parte final da tabela, duas estreias muito aguardadas ficaram claramente à sombra da concorrência. O Renault 4, herdeiro de um ícone, ficou-se pelos 150 pontos. Apesar do charme inegável e do conceito urbano certeiro, aspetos como a qualidade percebida dos materiais e um preço não tão acessível quanto o esperado limitaram o seu alcance. O Dacia Bigster (170 pontos), antecipado como o SUV familiar disruptivo, pareceu ao júri excessivamente conservador na sua proposta técnica e de design, não conseguindo gerar o mesmo entusiasmo que os modelos acima dele na lista.
A grande susência que persiste: A revolução popular adiada
Contudo, para lá dos pontos e das colocações, uma análise mais profunda revela uma ausência estrutural. O pódio de 2026 é dominado por veículos que, mesmo elétricos, se posicionam em segmentos de preço médio a elevado. O CLA vencedor é um premium acessível, mas não acessível no sentido popular. A grande e recorrente ausência deste ano – e de anos recentes – continua a ser o carro elétrico verdadeiramente popular, um veículo a zero emissões com um preço de entrada incontestavelmente competitivo face aos equivalentes a combustão, sem comprometer a segurança e o equipamento básico.
Os finalistas elétricos (Elroq, EV4) são excelentes, mas continuam a ser produtos para o segmento C, com preços a condizer. O Fiat Grande Panda (5º lugar, 200 pontos), com a sua proposta simples e acessível, foi talvez o que mais se aproximou deste espírito, mas a sua versão a combustão ainda domina a narrativa.
A votação de 2026 espelha, assim, a realidade de uma indústria que priveligiou a tecnologia e a margem de lucro no topo de gama, deixando a promessa da democratização massiva da eletrificação para um futuro ainda indefinido. Enquanto isso, o verdadeiro “Carro do Ano” para a maioria das famílias europeias continua à espera de chegar aos concessionários.


















