Quando escolhe o próximo carro, a cor é provavelmente uma das últimas coisas em que pensa em termos de impacto ambiental. Preocupa-se com os consumos, as emissões de CO2, ou talvez com o tipo de motor. Mas e se a simples tonalidade da “lataria” do seu automóvel estivesse a contribuir ativamente para o aumento do calor na sua cidade?
Esta é a conclusão surpreendente de um estudo realizado pelo Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa (IGOT). A investigação revela que um carro de cor escura pode aquecer o ar à sua volta em até 3,8 graus Celsius acima da temperatura do asfalto circundante.
Aquecimento explicado
A explicação é simples: tal como os edifícios, os carros são volumes feitos de materiais que absorvem e retêm calor. “Nós costumamos olhar para o impacto dos carros ao nível da poluição e da emissão de gases, o que é importante, mas estamos a esquecer este aspeto”, explicou Márcia Matias, coautora do estudo, ao ‘Diário de Notícias’. “Quando temos milhares de carros estacionados, cada um funciona como uma pequena fonte de calor. A cor dos automóveis pode realmente mudar a sensação térmica das ruas e o conforto das pessoas.”
O mesmo fenómeno não se verifica com veículos de cores claras, especialmente o branco, que tem a capacidade de refletir uma grande parte da radiação solar, ajudando a manter a temperatura ambiente mais baixa.
Num contexto como o de Lisboa, onde circulam diariamente mais de 700 mil veículos, a cor da frota automóvel deixa de ser uma mera questão estética para se tornar num fator relevante para o aquecimento e o conforto térmico urbano.
Da próxima vez que estiver a escolher um carro, lembre-se: a sua decisão pode ir muito além do gosto pessoal. Pode ser uma escolha a favor de uma cidade mais fresca.
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