Portugal é um país feito de contrastes que se abraçam – o granito rude do Norte e o calcário dourado do Sul, o ritmo lento das aldeias e a urgência das cidades. Tal como a sua paisagem, os Mitsubishi Bi-Fuel provam que os melhores contrastes são os que se completam: gasolina e GPL, unidos para oferecer o melhor da economia e da autonomia.
Há viagens que se contam em quilómetros, outras em histórias… E esta foi uma viagem que se conta em ambos. Do nordeste transmontano, onde o tempo parece ter parado na aldeia comunitária de Rio de Onor – uma das 7 Maravilhas de Portugal -, até ao fim do mundo conhecido, Sagres, onde a terra termina e o mar começa. No meio, 765 quilómetros de estradas nacionais, paisagens deslumbrantes e a prova de que é possível atravessar Portugal de lés-a-lés sem abastecer, ao volante dos Mitsubishi Colt e ASX Bi-Fuel.
GPL: A alternativa que (quase) ninguém esperava
Na era das alternativas, a marca nipónica propõe uma solução diferente: os Bi-Fuel, carros que funcionam a gasolina ou GPL (Gás de Petróleo Liquefeito, garantindo autonomia alargada e economia. E, depois desta viagem, confirmámos: funciona. Estes underdogs tecnológicos desafiam o lugar-comum dos elétricos.
A missão: atravessar Portugal sem parar
O desafio era claro: partir de Rio de Onor (Bragança), na fronteira com Espanha, e chegar a Sagres apenas com os dois depósitos cheios – um de gasolina, outro de GPL. Sem pressas, mas também sem portagens, seguindo por estradas que desvendam o coração do país.
Os números não mentem: ambos os Mitsubishi cumpriram a tarefa, ainda que com margens apertadas. O Colt, mais leve e aerodinâmico, mostrou-se o mais económico, enquanto o ASX, com o seu extra de espaço e posição elevada, garantiu conforto sem comprometer a autonomia. Não é segredo que os consumos a gás são mais elevados do que obtidos unicamente pelo motor a gasolina. E o 1.0 turbo de três cilindros que equipa o Colt não é exceção – registámos médias de 5 l/100 km a gasolina, enquanto o consumo a GPL nunca baixou dos 7 (ver caixa).
Mas esta viagem não foi só sobre números. Foi sobre as estradas que serpenteiam entre montanhas e barragens, as aldeias que resistem no tempo, os sabores que nos fazem parar e a certeza de que Portugal, mesmo longo, cabe num só fôlego.
Um fôlego que, nestes Mitsubishi Bi-Fuel, surge com dupla personalidade: o 1.0 turbo de três cilindros revela-se surpreendentemente macio e silencioso quando alimentado a GPL, quase como se a melhor combustão do gás suavizasse o carácter normalmente vibrante dos três cilindros. Quando optamos por gasolina, mantém a vivacidade que esperamos de um turbo pequeno, com seus 90 CV e 160 Nm sempre prontos para responder.
Curiosamente, no modo GPL – onde desenvolve 100 CV e 170 Nm -, as diferenças de performance são mais teóricas que práticas. O que realmente importa é como este motor se adapta às estradas que encontrámos: resposta elástica nos regimes médios para ultrapassagens seguras nas nacionais, uma caixa manual de 6 velocidades bem escalonada (com uma sexta relação deliberadamente longa para as retas alentejanas) e, sempre, a sensação de que tínhamos o parceiro mecânico certo para cada cenário. Mais ainda quando esta versatilidade mecânica vem envolta num pacote tecnológico completo. Ambos os modelos da Mitsubishi, no acabamento Kaiteki, oferecem: cruise control adaptativo, ar condicionado automático e sistema multimédia de 7″ com Android Auto/Apple CarPlay sem fios, enquanto o arranque sem chave e os retrovisores aquecidos revelaram-se aliados preciosos na madrugada transmontana.
O caminho: Do Nordeste ao Sudoeste, sem pressa
Sair de Rio de Onor é como deixar um Portugal esquecido. As casas de granito, partilhadas entre portugueses e espanhóis, falam de um tempo em que as fronteiras eram apenas linhas no mapa. Dali, rumámos a Bragança, cidade fortaleza, e depois a Macedo de Cavaleiros, onde nos aventurámos pelo IP2 até ao esplendor do espelho de água da Barragem do Sabor como que a convidar-nos para uma pausa contemplativa.
Seguimos para o Pocinho, onde o Douro ainda é selvagem, e depois para Celorico da Beira e Guarda, a cidade mais alta de Portugal. Aqui, um café quente e um queijo da serra são obrigatórios antes de descer em direção ao Fundão, terra da cereja, e a Castelo Branco, onde os jardins do Paço Episcopal merecem uma visita.
Mais abaixo, e a meio do percurso, a Barragem do Fratel oferece um momento de descompressão – a vista sobre o Tejo é desarmante. Depois, Portalegre recebe-nos com o seu casario alentejano, antes de seguirmos para Estremoz, altura ideal para um almoço regado com vinho regional para recompor as energias… e dormir a sesta. Évora, Património da Humanidade, é paragem obrigatória. E depois, o Alentejo abre-se em planícies infinitas até Beja e Castro Verde, onde o cante alentejano parece ecoar no vento.
O último trecho, já no Algarve, leva-nos por Odemira, Odeceixe e Carrapateira, onde o asfalto se rende ao oceano. Até que, finalmente, chegamos a Sagres. O fim da Europa. A viagem termina, mas a história fica.
Conclusão: Vale a pena?
Se a pergunta é se estes carros conseguem atravessar Portugal sem abastecer, a resposta é sim. Se a pergunta é se o GPL é uma alternativa viável, a resposta é ainda mais clara. É económico, ecológico e, acima de tudo, prático. E, numa viagem como esta, prova que há estradas que valem mais do que o destino – e que, às vezes, “o melhor combustível é mesmo a vontade de partir”.
Vamos a contas?
A opção GPL representa um acréscimo de 800 €, compensado pelo ligeiro aumento de potência (90 para 100 CV). Com o GPL a custar entre 0,8 € e 1 €/litro – metade do preço da gasolina Super 95 (1,6-1,8 €/litro) – o Mitsubishi Colt Bi-Fuel surge como o campeão de poupança: além de ser 3.000 € mais acessível do que o ASX, consome menos 1l/100 km graças ao seu menor peso e aerodinâmica. Em termos práticos, quatro adultos viajam com conforto no Colt, embora a bagageira (340 litros; 979 com bancos rebatidos) perca o pneu sobresselente para alojar o depósito de GPL – substituído por um kit de reparação. Na estrada, o Colt oferece maior agilidade e conforto, enquanto o ASX, com a sua posição elevada, paga o preço de uma suspensão mais firme.
Os consumos médios revelam um acréscimo de 2-3 l/100 km em GPL face à gasolina, traduzindo-se num custo por 100 km de apenas 5 € no Colt e 6 € no ASX – valores inferiores aos de um Diesel moderno. Para completar o quadro, as emissões de CO2 do ASX caem significativamente (de 137-138 g/km para 120-121 g/km) quando alimentado a GPL.
422 Postos, zero stress
Em Portugal Continental, os 422 postos de GPL oferecem uma rede menos visível que os 5.000 pontos de carregamento elétricos, mas igualmente eficaz. Este combustível – uma mistura liquefeita de butano e propano a pressão moderada – destaca-se pela sua segurança (isento de benzeno e chumbo) e praticidade: abastece-se em 3-4 minutos, com a simples precaução de usar luvas para evitar o frio do desengate. Uma alternativa limpa e imediata que desafia o novo monopólio dos elétricos.
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