Frank van Meel quebra o tabu: a tradicional caixa de velocidades manual é um entrave à performance e um obstáculo à eficiência. E os números não mentem.
Há muito que os puristas suspeitavam, mas agora chegou a confirmação vinda de dentro da própria fábrica: o “fazer por ti” já não tem lugar nos planos da alta performance. Frank van Meel, o homem que comanda a divisão M da BMW, não teve papas na língua numa entrevista recente à imprensa australiana. Para o engenheiro, a caixa manual é uma peça de museu que, tecnicamente, “já não faz sentido”.
Ao volante de um M2 ou de um M4, muitos ainda sonham com o pé esquerdo ocupado e o direito a dançar entre acelerador e travão. Mas a lógica do engenheiro sobrepõe-se à paixão do condutor. Van Meel explica que a transmissão manual é um autêntico “estrangulador” mecânico: limita o binário que o motor pode debitar e penaliza os consumos. Numa era em que cada grama de CO2 é escrutinada e cada décimo de performance é conquistado a ferros, ter um condutor humano a ditar as trocas de velocidade é, nas contas da BMW, um passo atrás.
“Do ponto de vista da engenharia, a caixa manual não faz realmente sentido porque limita o binário e também o consumo de combustível.”
O exemplo mais gritante desta limitação é o mítico 3.0 CSL. Para que o “Batmóvel” moderno pudesse acolher uma caixa manual, os engenheiros tiveram de domar o possante motor S58. O seis cilindros em linha, que debita 650 Nm nas versões convencionais, foi amordaçado para uns contidos 550 Nm. Tudo para que os puristas pudessem ter o privilégio de engrenar as mudanças à moda antiga. Um exercício de estilo que custou 750.000 euros por unidade e que prova o quão contra-natureza se tornou esta combinação.
Mas o golpe mais duro para os apaixonados não vem da performance, vem da economia de escala. A BMW M admite que, apesar de a taxa de adoção da caixa manual ainda ser relevante (sobretudo nos Estados Unidos), não faz sentido financeiro desenvolver uma nova caixa capaz de aguentar as cargas atuais. Seria um investimento milionário para um punhado de modelos e um punhado de clientes. As contas são frias: as economias de escala não perdoam.
Van Meel garante, em jeito de consolo, que a marca manterá a oferta manual “pelos próximos anos”. Traduzindo: os atuais M2 e M4, que deverão sobreviver até 2029, serão os últimos a ostentar o terceiro pedal. O próximo M3, de seu nome G84, aponta para uma estreia exclusivamente automática. E o Z4 M40i, esse, está mesmo à beira da reforma.
Resta aos saudosistas a esperança das edições especiais. O mercado japonês já teve direito a um M3 MT Final Edition, e não será surpresa se a BMW M se despedir em grande da caixa manual com mais algumas séries limitadas. Depois, será o silêncio (e as patilhas) a imperar.














