Numa inversão de marcha face à pressão reguladora europeia, a Stellantis decidiu reforçar a oferta de motores Diesel em vários modelos de passageiros, reconhecendo que a transição para o elétrico está a ser mais lenta do que o previsto.
Nos corredores da indústria automóvel, o motor Diesel tornou-se quase uma palavra proibida ao longo da última década. Entre o peso do escândalo do Dieselgate, as metas de emissões cada vez mais restritas e a corrida aos elétricos, as marcas foram, uma a uma, retirando este combustível dos seus catálogos de ligeiros.
Os dados da ACEA (associação de construtores europeus) falam por si: em 2025, a quota do Diesel nas vendas de automóveis novos na Europa ficou-se pelos 7,7%, o que representa uma quebra homóloga de 24%, com pouco mais de um milhão de unidades vendidas .
No entanto, o mercado está a dar sinais de que a despedida do gasóleo pode ter sido precipitada. Ao contrário da tendência geral, a Stellantis anunciou esta semana que não só vai manter como vai reforçar a presença do Diesel no seu portfólio europeu. “Decidimos manter os motores Diesel na nossa gama e, nalguns casos, alargar a nossa oferta de motorizações”, confirmou o grupo em comunicado, citado pela agência Reuters .
O regresso do gasóleo aos passageiros
Os primeiros sinais desta contraciclo surgiram ainda no final de 2025. Modelos de passageiros como o Peugeot Rifter, o Citroën Berlingo e o Opel Combo, que tinham eliminado as versões a gasóleo, vão agora vê-las regressar ao mercado. De acordo com uma análise da Reuters, pelo menos sete modelos de passageiros do grupo, comercializados um pouco por toda a Europa, deverão receber novamente esta opção mecânica .
Esta decisão coloca a Stellantis numa posição peculiar: enquanto a concorrência acelera para cumprir as metas de 2035, o grupo liderado por Antonio Filosa parece querer garantir que não perde terreno num segmento onde a procura, ainda que residual, se mantém fiel.
Elétricos: um balde de água fria?
A aposta no Diesel não é um capricho, mas sim uma consequência direta dos maus resultados da estratégia elétrica. A Stellantis revelou recentemente perdas por imparidade na ordem dos 22 mil milhões de euros, reflexo do cancelamento de projetos, do ajuste na produção de modelos 100% elétricos e do encerramento de fábricas de baterias .
Como parte deste redimensionamento, o grupo vendeu ainda a sua participação na joint venture NextStar Energy, no Canadá, à parceira sul-coreana LG Energy Solution . Apesar do revés, a empresa garante que não abandona a ambição de ser líder na mobilidade elétrica, mas promete fazê-lo “de forma mais alinhada com a procura real dos clientes” .
“Queremos gerar crescimento e, para isso, estamos focados na procura dos clientes”, sublinhou a empresa, numa postura mais pragmática do que aquela que vigorava aquando da fusão que deu origem ao grupo.















