O BMW que todos amam odiar é afinal uma máquina incrível que provoca emoção e força uma tomada de posição. Amar odiar este BMW é, no fundo, um elogio… Mourinho não podia ter feito escolha mais adequada.
Com tantos anos de profissão, poucos carros me baralharam tanto como o BMW XM. Ocupa esse lugar com uma arrogância que todos parecem amar odiar, mas cuja existência valida a ousadia de quem o concebeu e, sobretudo, de quem o compra.
José Mourinho, o treinador português é um destes. Diz-me que terá recebido das mãos do Benfica, parceiro da BMW, uma unidade de 2025. E é nele que tem sido fotografado à entrada do centro de estágio do clube de Lisboa. Agora que tens novamente as objetivas viradas para ele, com a sua provável saída para Madrid.
Em foto, ou ao vivo, a sua fisionomia é o primeiro manifesto. O XM ergue-se (e que grande!) como um exercício de expressionismo técnico. O duplo rim iluminado é uma entrada de ar colossal para um sistema de arrefecimento que sustenta 748 CV de potência híbrida. As linhas direitas, os volumes esculturais e os detalhes como o logótipo inscrito no vidro traseiro são declarações de ruptura. Critica-se a falta de subtileza, mas ignora-se a coragem de desertar do convencional. É um desenho que privilegia a função sobre a beleza convencional.
O interior é uma catedral tecnológica dedicada ao condutor. Ao contrário de outros SUV de luxo que se assemelham a salas de estar, o XM é austero. O BMW Curved Display domina a visão, mas o verdadeiro protagonista é o ambiente criado pela combinação de carbono, couro Merino de grão integral e alpaca, com a iluminação ambiente do teto panorâmico. É luxo, mas é um luxo focado na experiência dinâmica, não no mero conforto passivo. O sacrifício de uma terceira fila de assentos em prol de um espaço traseiro majestoso e de uma arquitetura que privilegia também o centro de gravidade é uma decisão técnica, não um lapso. Quem o critica por não ser prático como um X7 perde tempo: ele não quer sê-lo.
E o melhor: sob o capot, um sistema híbrido plug-in concebido única e exclusivamente pela divisão M. Não é uma adaptação, é uma criação de raiz. O V8 biturbo de 4.4 litros, com os seus 585 CV, canta uma melodia amplificada eletronicamente, um pecado para os puristas. O motor elétrico, por sua vez, com 197 CV, não está ali apenas para reduzir emissões; é uma ferramenta de desempenho puro, fornecendo binário instantâneo para preencher qualquer lacuna de resposta do turbo. A gestão inteligente desta simbiose resulta numa aceleração de 0-100 km/h em 3,8 segundos (Adeus Porsche 911!) e numa complexidade mecânica que é, em si mesma, uma afirmação de capacidade de engenharia.
A magia — e a justificação para o seu peso de 2.9 toneladas — acontece na forma como este colosso se movimenta. A tríade de sistemas ativos — suspensão eletromagnética M, barras estabilizadoras Dynamic Drive e direção integral ativa — trabalha em uníssono para dissimular a massa de forma quase sobrenatural. Em curva, em mudanças de direção, desmente as suas dimensões. Depois, o sistema de tração integral M xDrive, capaz de se transformar em tração traseira pura, confere-lhe um caráter lúdico que nenhum SUV deste tamanho deveria ter. É aqui que o “ódio” se transforma em respeito?
Para mim, sim.






















