O BMW que todos amam odiar é afinal uma máquina incrível que provoca emoção e força uma tomada de posição. Amar odiar este BMW é, no fundo, um elogio…
Com tantos anos de profissão, poucos carros me baralharam tanto como o BMW XM Label Red. Ocupa esse lugar com uma arrogância que todos parecem amar odiar, mas cuja existência valida a ousadia de quem o concebeu e, sobretudo, de quem o compra.
A sua fisionomia é o primeiro manifesto. O XM ergue-se (e que grande!) como um exercício de expressionismo técnico. O duplo rim iluminado é uma entrada de ar colossal para um sistema de arrefecimento que sustenta 748 CV de potência híbrida. As linhas direitas, os volumes esculturais e os detalhes como o logótipo inscrito no vidro traseiro são declarações de ruptura. Critica-se a falta de subtileza, mas ignora-se a coragem de desertar do convencional. É um desenho que privilegia a função sobre a beleza convencional.
O interior é uma catedral tecnológica dedicada ao condutor. Ao contrário de outros SUV de luxo que se assemelham a salas de estar, o XM é austero. O BMW Curved Display domina a visão, mas o verdadeiro protagonista é o ambiente criado pela combinação de carbono, couro Merino de grão integral e alpaca, com a iluminação ambiente do teto panorâmico. É luxo, mas é um luxo focado na experiência dinâmica, não no mero conforto passivo. O sacrifício de uma terceira fila de assentos em prol de um espaço traseiro majestoso e de uma arquitetura que privilegia também o centro de gravidade é uma decisão técnica, não um lapso. Quem o critica por não ser prático como um X7 perde tempo: ele não quer sê-lo.
E o melhor: sob o capot, um sistema híbrido plug-in concebido única e exclusivamente pela divisão M. Não é uma adaptação, é uma criação de raiz. O V8 biturbo de 4.4 litros, com os seus 585 CV, canta uma melodia amplificada eletronicamente, um pecado para os puristas. O motor elétrico, por sua vez, com 197 CV, não está ali apenas para reduzir emissões; é uma ferramenta de desempenho puro, fornecendo binário instantâneo para preencher qualquer lacuna de resposta do turbo. A gestão inteligente desta simbiose resulta numa aceleração de 0-100 km/h em 3,8 segundos (Adeus Porsche 911!) e numa complexidade mecânica que é, em si mesma, uma afirmação de capacidade de engenharia.
A magia — e a justificação para o seu peso de 2.9 toneladas — acontece na forma como este colosso se movimenta. A tríade de sistemas ativos — suspensão eletromagnética M, barras estabilizadoras Dynamic Drive e direção integral ativa — trabalha em uníssono para dissimular a massa de forma quase sobrenatural. Em curva, em mudanças de direção, desmente as suas dimensões. Depois, o sistema de tração integral M xDrive, capaz de se transformar em tração traseira pura, confere-lhe um caráter lúdico que nenhum SUV deste tamanho deveria ter. É aqui que o “ódio” se transforma em respeito?
Para mim, sim.





















