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Teste – Suzuki Vitara 1.4T S3 4WD: O especialista

Chame-lhe veterano, nós chamamos-lhe especialista: o Vitara resiste ao tempo com tração integral AllGrip, motor mild-hybrid de 129 CV, segurança em alta e conectividade sem fios para rivalizar com os SUV mais jovens, dentro e, sobretudo, fora de estrada!

Suzuki Vitara 1.4T S3 4WD

A idade é um posto! E o Vitara prova-o com galhardia: este SUV, na sua quarta geração (estreada em 2015), não é o mais revolucionário do segmento, mas consolida-se como um especialista de tração integral – um domínio onde a Suzuki está como peixe na água. E também tem sabido resistir à erosão dos tempos através de atualizações cíclicas. A mais recente focou-se em detalhes: nova máscara frontal com faróis redesenhados, para-choques refinados e grelha atualizada, complementados por uma paleta cromática fresca (destacando-se o Cinza Escuro Titan Pérola Metalizado e o Azul Esfera Pérola com teto preto metalizado).

 

No interior, o ecrã tátil central cresceu para 9”, mantendo a interface gráfica funcional ainda que modesta. A grande revolução, dizemos nós, está na conectividade sem fios para Apple CarPlay e Android Auto – solução que contorna o sistema de navegação nativo, por vezes hesitante no redesenho de rotas. A experiência ao volante é gerida por dois displays: além do ecrã central, há um painel digital de 4,2” ao centro da instrumentação que fornece dados em tempo real sobre o fluxo de energia do sistema híbrido, consumo instantâneo e modos de condução do AllGrip Select, de série na “nossa” versão.

4×4 e “empurrão” elétrico

Na consola central, o botão rotativo do sistema 4WD destaca-se, permitindo a gestão autónoma da tração pelos dois eixos, além de dois modos de condução distintos (Sport e Snow), ou função Lock, com bloqueio do diferencial central. Depois, o SUV da Suzuki, fiel às origens, tem claramente afinações que o aproximam mais de jipe do que de berlina de pernas altas: são 18,5 cm de altura livre ao solo.

Por estrada asfaltada, a suspensão favorece o conforto, em contraponto com o desempenho dinâmico mais morno, percetível no adornar da carroçaria em curva, contrastando com rivais mais ágeis como o Ford Puma, por exemplo. O Vitara é um SUV que pede mesmo uma utilização mista, mostrando sempre muito à-vontade para colocar um pezinho em estradões de terra.

O coração desta variante é o 1.4 turbo a gasolina de 129 CV, enriquecido pela tecnologia SHVS (Smart Hybrid Vehicle by Suzuki), um sistema híbrido ligeiro que integra um motor-gerador elétrico (14 CV) e bateria de iões de lítio de 0,38 kWh, operando em três frentes complementares. Primeiro, assiste o motor térmico em acelerações a baixo e médio regime, injetando binário extra para uma resposta mais imediata ao acelerador. Segundo, otimiza o sistema start-stop e recupera energia nas desacelerações, transformando inércia em eletricidade. Terceiro, contribui para um consumo contido: 6,2 l/100 km (valor no teste). As prestações são meritórias, com disponibilidade assinalável em aceleração e recuperação, mas sem mostrar explosividade na resposta. Quanto à transmissão, a caixa manual de seis velocidades surpreende pela precisão.

Robusto e bem “recheado”

Modernizado por dentro e por fora, o Vitara mantém as características apreciadas: construção robusta, habitáculo prático com comandos intuitivos (apesar de design pouco atual), e uma condução equilibrada e agradável tanto em estrada como fora do asfalto. A Suzuki não mexeu estruturalmente, o que significa que continua a faltar-lhe centímetros para ombrear com propostas mais “matulonas” na classe. Mas há uma boa notícia: mantendo as medidas exteriores, o Vitara também paga classe 1 nas portagens.

Na mala, a escolha da motorização impacta significativamente a volumetria: no mild hybrid, o compartimento oferece 362 litros (289 litros no Strong Hybrid de 102 CV) – valor que, embora adequado para uso diário, se revela modesto face a rivais como o Peugeot 2008 (434 l) ou Hyundai Kauai (407 l).

Os níveis de equipamento (S1, S2, S3) também são simples de entender. O S1 inclui itens como jantes de liga leve e ar condicionado, mas faltam os vidros elétricos traseiros… O S2 acrescenta esse “mimo”, volante em pele, bancos dianteiros aquecidos e mais assistentes à condução. Enquanto o S3, no topo da gama, distingue-se por jantes polidas, retrovisores elétricos retráteis com piscas integrados, sensores de estacionamento dianteiros e revestimentos em pele.

Texto Vítor Mendes Fotos Paulo Calisto

CONCLUSÃO

O Vitara é a prova de que especialização e coerência têm lugar num mercado saturado de SUV genéricos. Não seduz pelo design vanguardista ou interior high-tech. Os seus trunfos são outros: robustez comprovada, tração integral verdadeira e eficiência híbrida inteligente. O preço desde 25.920 € coloca-o como alternativa válida para quem busca capacidades off-road, enquanto o nível S3 justifica o investimento com equipamento completo.

 

FICHA TÉCNICA

SUZUKI VITARA 1.4T S3 4WD

TIPO DE MOTOR                        Gasolina, 4 cilindros em linha, turbo

CILINDRADA                              1.197 cm3

POTÊNCIA                                  129 CV às 5.500 rpm

BINÁRIO MÁXIMO                     235 Nm entre as 2.000 e as 3.000 rpm

TRANSMISSÃO                          Integral, caixa manual 6 velocidades

V.MÁXIMA                                 195 km/h

ACELERAÇÃO                             9,7 s (0 a 100 km/h)

CONSUMO (WLTP)                    5,4 l/100 km (misto)

EMISSÕES CO2 (WLTP)              128 g/km (misto)

DIMENSÕES (C/L/A)                 4.185 / 1.775 / 1.600 mm

PNEUS                                      215/55 R17

PESO                                        1.250 kg

MALA                                       369-1.119 l

PREÇO                                      30.855 €

GAMA DESDE                           25.920 €

I.CIRCULAÇÃO (IUC)                 148,22 €

LANÇAMENTO                         Julho de 2024

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