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Teste – Renault 4 E-Tech Techno autonomia conforto: O poder da nostalgia

O Renault 4 E-Tech dá continuidade à aposta revivalista da marca francesa, surgindo como reinterpretação moderna do clássico 4L, que fez parte da vida de muitos portugueses no passado. Mas, apesar do aspeto geral, tem pouco a ver com esse. O 4 E-Tech é amplamente mais tecnológico e tem conceito SUV, procurando ajudar a democratizar a eletrificação.

Renault 4 E-Tech

A Renault continua a revisitar os seus modelos icónicos do passado, com o 4 E-Tech a ser a mais recente proposta do fabricante francês, que tem na imagem revivalista e na tecnologia dois argumentos de relevo. Este modelo segue de perto o conceito do 5 E-Tech, lançado no final do ano passado, nomeadamente no recurso à plataforma AmpR Small, pensada exclusivamente para veículos 100% elétricos e de dimensões mais compactas.

No entanto, o 4 E-Tech surge com carroçaria de estilo SUV, valorizada por atributos como as proteções inferiores da carroçaria em plástico negro a toda a volta, altura ao solo elevada, barras de tejadilho ou, ainda, jantes de 18”, que são de série em todos os modelos, variando o estilo das mesmas, consoante o nível de equipamento. Um dos destaques visuais deste “revivalista” está na dianteira, onde sobressai o painel dianteiro em preto, até porque a iluminação diurna em LED de formato circular evoca muito bem a imagem do 4L original.

Tecnologia Google

Por dentro, o 4 E-Tech é similar ao 5, havendo apenas a apontar diferenças ao nível de alguns revestimentos e, mais importante, no maior espaço disponível nos bancos traseiros. Voltando à aparência, saliente-se a elevada qualidade da construção geral (mesmo os plásticos que abundam nas zonas inferiores têm ótima apresentação) e a noção moderna conferida pelos ecrãs, no caso da versão techno com painel de instrumentos digital de 10”, marcado por grafismos variáveis, e pela interação direta com o ecrã central tátil de 10,1”, via OpenR Link. Este sistema dispõe de tecnologia Google, o que permite acesso a aplicações como o Maps (com navegação inteligente a incluir pontos de carga), assistente de voz (Reno) ou integração de outras aplicações por via da loja virtual. De funcionamento fácil e resposta rápida, o OpenR Link ajuda a destacar o 4 E-Tech dos seus rivais, primando pelo efeito evidente de modernidade (inclui iluminação ambiente).

Os bancos, semelhantes aos do 5, oferecem excelente apoio do corpo, enquanto o volante conta com patilhas para alterar os níveis de regeneração.

Atrás, e como referimos, o 4 sobressai pela oferta superior de espaço para os ocupantes – dois para maior conforto –, tanto para as pernas, como em altura até ao tejadilho, numa clara vantagem face ao ‘irmão’ 5 E-Tech (distância entre eixos de 2,62 m contra 2,54 deste último). O acesso e a saída de todos os lugares saem igualmente favorecidos pela maior altura ao solo do veículo e a boa bagageira de 420 litros, confere-lhe maior versatilidade e outra conveniência no dia-a-dia.

Good feelings

Com tração dianteira, o 4 E-Tech aproveita também as versões mecânicas do 5, com esta unidade a dispor de motor elétrico de 150 CV (110 kW) e 245 Nm de binário, indicadores de condução despachada e bastante ágil, impelindo este SUV para velocidades elevadas sem esforço, sobretudo nos modos de condução ‘Comfort’ e ‘Sport’. Mesmo não sendo um desportivo, o modelo reage sempre com decisão e torna-se num aliado importante, quer para a cidade, quer para trajetos fora dela.

Aqui, conta ainda com um acerto de chassis muito eficaz, com amortecimento um pouco mais seco do que o de alguns rivais do segmento, mas sem se tornar desconfortável, capaz de proporcionar condução divertida e muito segura, ao qual se junta a direção precisa e com bom ‘feeling’.

Seguindo esta tendência positiva, e utilizando bem os diferentes níveis de regeneração (incluindo ‘one pedal’), é possível obter consumos como os 13,9 kWh/100 km do ensaio, alcançados em parceria com o recurso ao modo de condução ‘Eco’, o qual suaviza a entrega da potência e a climatização. Em autoestrada, os valores tendem a subir para a casa dos 16 kWh/100 km. Ou seja, na prática, a autonomia real não anda muito longe da anunciada pela marca.

Com preço de 35.000 €, o nível techno compensa pelo vasto nível de equipamento disponível, com a vantagem deste 4 E-Tech ser um claro ícone de design entre os elétricos atuais.

Texto Miguel Silva Fotos Paulo Calisto

CONCLUSÃO

Tal como o 5, o 4 E-Tech convence pela soma geral de atributos, desde as prestações ao dinamismo, passando pela competência tecnológica do interior, aqui reforçada por uma habitabilidade traseira melhorada e por uma bagageira mais versátil. Não é uma ‘pechincha’, mas é um elétrico completo e bem desenvolvido, que mostra uma vez mais o poder da imagem do passado.

FICHA TÉCNICA

RENAULT 4 E-TECH TECHNO 

TIPO DE MOTOR                           Elétrico, síncrono de íman permanente

POTÊNCIA                                     150 CV (110 kW)

BINÁRIO MÁXIMO                        245 Nm

TRANSMISSÃO                             Dianteira, caixa de relação única

BATERIA                                        Iões de lítio (NCM), 52 kWh

AUTONOMIA (WLTP)                   399 km

TEMPO DE CARGA                      4h50 a 11 kW CA (0-100%) – 30 min. a 100 kW CC (10-80%)

V. MÁXIMA                                  150 km/h

ACELERAÇÃO                               8,2 s (0 a 100 km/h)

CONSUMO (WLTP)                      15,5 kWh/100 km (misto)

EMISSÕES CO2 (WLTP)                0 g/km (misto)

DIMENSÕES (C/L/A)                    4.144 / 1.808 / 1.552 mm

PNEUS                                         195/60 R18

PESO                                           1.537 kg

BAGAGEIRA                                 420-1.405 l

PREÇO                                         35.000 €

GAMA DESDE                              29.500 €

I. CIRCULAÇÃO (IUC)                   0 €

LANÇAMENTO                            Julho de 2025

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