A indústria automóvel chinesa parecia estar finalmente a deixar para trás a fama de “cópia”, mas os novos SAIC Z7 e Z7T, com tecnologia da Huawei, são, no mínimo, uma réplica descarada do Porsche Taycan e da sua variante Cross Turismo.
Não se trata apenas de semelhanças vagas. O Z7 (sedan) e o Z7T (carrinha shooting brake) parecem saídos da mesma folha de papel que o Taycan: o perfil envidraçado, as entradas de ar ventiladas no guarda-lamas, os faróis trapezoidais com quatro pontos de luz característicos e a barra luminosa traseira são quase indistinguíveis. Até as jantes “Mission E Design”, com o aro na cor da carroçaria, ganharam uma versão “tributo” no modelo chinês.
Não é a primeira vez que um construtor chinês se inspira no desportivo elétrico alemão — a Xiaomi fez o mesmo com o SU7 —, mas enquanto o modelo da Xiaomi é “inspirado”, o Z7 leva a cópia a um nível de “fotocópia”.

Tecnologia com selo Huawei
Apesar do design polémico, a tecnologia é de ponta. O Z7 integra a HIMA (Harmony Intelligent Mobility Alliance), uma plataforma da Huawei que fornece todo o ecossistema eletrónico: sistema de infotainment, assistência à condução e gestão da cadeia de fornecimento. A fabricação fica a cargo da SAIC.
Tal como o Taycan, o Z7 adota uma arquitetura de 800V, permitindo recarregar energia para 200 km de autonomia em apenas 5 minutos. As baterias, fornecidas pela CATL, são de fosfato de ferro-lítio (LFP) com capacidades de 80 kWh (versões de entrada) ou 100 kWh (versões topo de gama), prometendo mais de 700 km de autonomia. A tração pode ser traseira (um motor) ou integral (dois motores), embora as potências ainda não tenham sido reveladas — algo que será anunciado no lançamento oficial, previsto para março de 2026.
O golpe final: o preço
O verdadeiro murro na mesa, porém, é o preço. Na China, o Z7 custa entre 250.000 e 350.000 yuans (31.200€ a 43.600€), dependendo da configuração. O Taycan, em contraste, começa nos 918.000 yuans (cerca de 114.000€) no mercado chinês, podendo ultrapassar os 253.000€ em Portugal na versão Turbo GT.
É um diferencial que coloca o modelo chinês numa posição imbatível no papel, reavivando o velho dilema da indústria: até onde vai a inspiração e onde começa a violação de propriedade intelectual? Enquanto os tribunais não decidem, a SAIC e a Huawei preparam-se para vender um “Taycan” por um terço do preço.
Fonte: CarNewsChina
Leia também no site: