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Frente a Frente – Mercedes-AMG SL 43 VS. Porsche 911 Carrera Cabriolet: Básico? Qual básico…

Talvez seja um pouco ousado usar a palavra básico para descrever dois desportivos descapotáveis que custam mais de 150.000 €. Porém, os modelos aqui em análise são as versões de acesso aos mais recentes SL e 911. Duas máquinas que recorrem às mecânicas de menor potência nos respetivos portfólios e sistemas de tração a um só eixo. Por outras palavras, as opções mais puristas de duas estrelas de altas prestações.

Mercedes SL 43 Cabrio

Não nos julgue quando dizemos que estes SL e 911 são versões de acesso, sobretudo quando, numa rápida vista de olhos pelas fichas técnicas, terá visto preços de seis dígitos. Mas, no fundo, sabe que temos razão. Tanto o SL como o 911 são caprichos, carros concebidos exclusivamente para quem tem dinheiro e procura estacionar um veículo de altas prestações na sua garagem. Mas, e se as altas prestações tivessem um limite? E se tivéssemos excedido esse limite?

Esta é provavelmente a situação atual. A evolução dos motores chegou a um ponto em que a luta pela potência roça o absurdo. E sim, tanto a Mercedes-AMG como a Porsche entraram nesse jogo, com modelos de mais de 800 CV de potência, no caso da marca da estrela. Automóveis que privilegiam mais o estatuto do que a própria função. Então, porque não voltar às origens? É aí que se posicionam os nossos protagonistas, acessos às gamas que, ao mesmo tempo, representam o que há de mais original, mais puro, um regresso ao básico, algo em que se destaca precisamente o SL, um modelo que ao longo da história se foi afastando da abordagem mais genuína.

Como o primeiro

Pode parecer pretensioso, mas este SL 43 é o mais parecido com o seu antecessor de meados do século passado. A chave reside na sua mecânica, de apenas quatro cilindros, depois de várias gerações em que os seis, oito e até doze pistões preencheram o espaço debaixo do capô (atenção, o famoso “asas de gaivota” utilizava um quatro cilindros). Este motor, o mais acessível da gama SL, provém diretamente do Classe A na versão 45 AMG, um 2.0 turbo que, para a ocasião, surge acoplado a um sistema microhíbrido, proporcionando um total de 421 CV de potência e 500 Nm de binário máximo. Números nada desprezíveis para um carro que se autodenomina roadster.

Com uma aceleração de 0 a 100 km/h em 4,7 segundos é rápido, mesmo apostando num esquema tração simples, apenas no eixo traseiro, ao contrário do resto dos SL. Sim, é o mais leve dos SL, mas os seus mais de 1.800 kg não o tornam propriamente um peso-pluma. Seja como for, o motor é uma joia da técnica. De facto, é um dos motores de produção com maior potência específica.

É também uma verdadeira joia aos comandos. Apesar da sua “baixa” cilindrada, a Mercedes-AMG utilizou a eletrificação para compensar as suas carências. Sem ir mais longe, o turbo, elétrico, adapta-se instantaneamente à necessidade de potência, o que permite eliminar quase por completo os “vazios” na aceleração. Resultado? Move o carro de forma linear, quase imitando uma motorização de maior capacidade. Impressiona como os V8? Nem de longe, mas com um regime de rotação até às 7.000 rpm, proporciona uma condução que permite desfrutar inclusive mais em estrada aberta do que com os motores enormes e superpotentes de maior cilindrada. Gostámos muito da combinação com a caixa de velocidades: em altas rotações é um conjunto ágil, rápido e quase simbiótico.

A propósito, embora isso seja claramente um efeito colateral, o consumo é “ridículo” para um veículo como este, com uma média de pouco mais de 10 l/100 km nas nossas medições. Mas, nem tudo é perfeito, e há um aspeto em particular em que este pequeno tetracilíndrico não se pode gabar: o som. Aqui, o “salto” para o V8 pode fazer sentido, uma vez que o 2.0 não consegue entusiasmar da mesma forma com uma banda sonora adequada ao citado A 45, mas não tanto num bilugar que ultrapassa os 150.000 €. Aliás, isto tornar-se ainda mais evidente quando com a capota aberta… Sim, se tivéssemos de pagar, optaríamos pelo oito cilindros.

Falando de preços…

Embora o valor do Mercedes-AMG já possa parecer exagerado, tome nota: a Porsche pede quase mais 20 mil euros por um conceito similar. É o 911 Cabrio mais acessível, 184.000 € por um ícone que oferece quase o mesmo que o AMG. Dizemos quase porque o conceito é igual, com a exceção de que os de Zuffenhausen não pouparam no motor e mantiveram o habitual seis cilindros boxer. Já se sabe, um propulsor turboalimentado na sua última evolução que inclusive rejeita, pelo menos por enquanto, qualquer tipo de eletrificação (isso fica reservado para o 911 GTS). Sejamos claros desde o início: o conjunto mecânico é melhor do que o do SL. Tem menos potência e até menos binário máximo, mas quando se trata de emoção, o 911 leva a melhor. O bloco é elástico como só ele sabe ser, com uma agilidade maior, embora a potência máxima apareça mais tarde do que no SL.

Não sabemos se é o motor, a caixa de velocidades ou a combinação de ambos, mas este 911 proporciona uma emoção superior. Tudo parece refinado, acompanhado por uma banda sonora muito mais profunda e metálica (melhor, aliás, do que a dos novos GTS híbridos). E até anda mais. Como o SL, é apenas de tração traseira, mas é também um carro significativamente mais leve (dissemos que o peso era relevante): cerca de 150 kg a menos. Já sabemos que a posição tão recuada do motor beneficia a tração em aceleração pura, algo que se reflete na tabela de prestações, com diferenças relevantes face ao seu rival.

Verdadeira delícia…

De facto, este Porsche 911 equipa uma mecânica espetacular, e a sua afinação não lhe fica atrás. Na verdade, é a típica da Porsche, apesar de estarmos a falar da versão mais básica. Pode ser obra da suspensão adaptativa ou da direção variável, mas conduzi-lo em estrada ou pista é extremamente agradável. De tudo, a direção é o aspeto que merece maior destaque, algo que sempre caracterizou os Porsche da nova geração: direta, comunicativa, fiel às trajetórias… Sem falar do chassis rígido que permite entrar nas curvas com determinação, ao ritmo que o condutor desejar.

O Mercedes-AMG oferece algo semelhante, pois o SL deixou para trás o conceito de roadster de luxo para se aproximar mais do nicho mais radical: nunca um SL esteve tão perto de um 911. Aqui, o condutor sente-se mais recuado, com um capô muito longo entre ele e a estrada. A direção parece um pouco mais leve do que a dos V8, dada a ausência de tração no eixo dianteiro, embora seja radicalmente estável. Por outro lado, a direção no eixo traseiro faz o trabalho quase de forma automática: a distância entre eixos parece reduzir-se e o SL, que é consideravelmente mais comprido, largo e pesado, acaba por imitar um GTI de bolso.

Texto Eduardo Lausín Fotos Paloma Soria

CONCLUSÃO

O SL é um carro mais cómodo (ainda mantém algo do legado dos seus antecessores) e convence em quase todos os aspetos… até aparecer o 911 e a sua mecânica boxer de seis cilindros. No entanto, não temos a certeza se estas vantagens custarão mais 20 mil euros. Além disso, o facto do AMG ter motor 2 litros origina a que pague menos 300 € de IUC que o Porsche. Se é que isso interessa…

FICHA TÉCNICA

MERCEDES-AMG SL 43

TIPO DE MOTOR                          Gasolina, MHEV, 4 cilindros em linha, turbo

CILINDRADA                                1.991 cm3

POTÊNCIA                                    421 CV às 6.750 rpm

BINÁRIO MÁXIMO                       500 Nm entre as 3.250 e as 5.000 rpm

TRANSMISSÃO                             Traseira, caixa auto. 9 vel. (dupla embraiagem)

V. MÁXIMA                                   278 km/h

ACELERAÇÃO                               4,7 s (0 a 100 km/h)

CONSUMO (WLTP)                      9,0 l/100 km (misto)

EMISSÕES CO2 (WLTP)                209 g/km (misto)

DIMENSÕES (C/L/A)                   4.700 / 1.915 / 1.359 mm

PNEUS                                        245/45 R19 (fre.) – 285/40 R19 (tras.)

PESO                                          1.810 kg

BAGAGEIRA                                213-240 l

PREÇO                                        165.500 €

GAMA DESDE                             165.500 €

I.CIRCULAÇÃO (IUC)                   426,83 €

LANÇAMENTO                           Agosto de 2024

 

FICHA TÉCNICA

PORSCHE 911 CARRERA CABRIOLET

TIPO DE MOTOR                            Gasolina, 6 cilindros boxer, turbo

CILINDRADA                                  2.981 cm3

POTÊNCIA                                      394 CV às 6.500 rpm

BINÁRIO MÁXIMO                         450 Nm entre as 2.000 e as 5.000 rpm

TRANSMISSÃO                              Traseira, caixa auto. 8 vel. (dupla embraiagem)

V. MÁXIMA                                    291 km/h

ACELERAÇÃO                                 4,3 s (0 a 100 km/h)

CONSUMO (WLTP)                        10,3 l/100 km (misto)

EMISSÕES CO2 (WLTP)                  234 g/km (misto)

DIMENSÕES (C/L/A)                     4.542 / 1.852 / 1.301 mm

PNEUS                                          235/40 R19 (fre.) – 295/35 R20 (tras.)

PESO                                            1.675 kg

BAGAGEIRA                                  135 l

PREÇO                                          183.983 €

GAMA DESDE                               183.983 €

I.CIRCULAÇÃO (IUC)                     781,60 €

LANÇAMENTO                             Abril de 2025

 

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