O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou na sexta‑feira a União Europeia (UE) de incumprir o acordo comercial negociado com Washington e anunciou que irá aumentar para 25% as tarifas aplicadas a automóveis e camiões fabricados no bloco europeu.
Numa publicação na plataforma Truth Social, Trump afirmou: “Uma vez que a União Europeia não está a cumprir o nosso acordo comercial integralmente acordado, na próxima semana aumentarei as tarifas sobre os automóveis e camiões da União Europeia que entrem nos Estados Unidos. A tarifa será elevada para 25%.”
O Presidente norte‑americano garantiu ainda que veículos produzidos em fábricas instaladas em território norte‑americano não serão alvo de qualquer tarifa adicional. Segundo Trump, estão atualmente em construção várias unidades industriais dedicadas ao setor automóvel, representando um investimento superior a 100 mil milhões de dólares, que descreveu como “um valor recorde na história do fabrico de veículos”.
Trump afirmou que “nunca se viu nada parecido” com o nível de investimento que, segundo ele, resulta dos compromissos assumidos por países com os quais Washington celebrou acordos comerciais que reduziram tarifas “recíprocas” anteriormente impostas.
A decisão levanta dúvidas jurídicas, uma vez que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos invalidou, em fevereiro, grande parte das tarifas previamente estabelecidas pela administração Trump, desmontando o mecanismo utilizado na sua guerra comercial com vários parceiros internacionais. Após esse revés, o Presidente impôs uma nova tarifa global temporária de 10%, ao abrigo de uma nova estrutura legal que deverá ser renovada pelo Congresso em julho.
Em meados de 2025, Washington e Bruxelas chegaram a um entendimento segundo o qual a UE aceitaria uma tarifa de 15% sobre a maioria dos produtos exportados para os EUA, em troca da entrada de grande parte dos produtos norte‑americanos no mercado europeu com tarifa zero.
O acordo aguarda ainda ratificação por parte das instituições europeias, depois de o Parlamento Europeu ter exigido salvaguardas que permitam suspender a sua aplicação caso Washington imponha novas tarifas ou ameace a integridade territorial de um Estado‑membro — como ocorreu em janeiro, durante a crise diplomática relacionada com o controlo da ilha dinamarquesa da Gronelândia.
