A Ayvens, empresa de renting, divulgou o Estudo Mobilidade 2026 e a principal conclusão é clara: a rede pública de carregamento continua a ser o maior entrave à transição para a mobilidade elétrica em Portugal.
O país regista atualmente 24 veículos por carregador, o dobro da média europeia (12), revelando um desfasamento crescente entre o ritmo de adoção dos elétricos e a expansão da infraestrutura.
O estudo sublinha que o parque automóvel elétrico está a crescer muito mais rapidamente do que a rede de carregamento. Esta assimetria gera “uma discrepância crescente entre oferta e procura”, traduzida em dificuldades para os utilizadores e num mercado de carregamento menos competitivo.

Elétricos continuam a liderar no custo total de utilização
Apesar dos desafios, a eletrificação das frotas empresariais mantém‑se sólida. Os veículos 100% elétricos (BEV) e híbridos plug‑in (PHEV) continuam a ser as opções mais competitivas em termos de custo total de utilização (TCO). De acordo com o estudo, as motorizações eletrificadas representam 81% dos perfis mais competitivos da matriz de TCO da Ayvens, mantendo-se acima dos 80% pelo quarto ano consecutivo
Nos veículos de passageiros, a tendência é ainda mais marcada: 91% dos perfis com menor TCO são eletrificados, restando apenas cinco cenários onde a gasolina se mantém mais competitiva. Para uma quilometragem típica de frota (30.000 km/ano), os BEV são a solução mais económica em todos os oito segmentos analisados, com uma poupança média de 19% face às restantes motorizações.
Elétricos mantêm vantagem
Num cenário em que o condutor depende exclusivamente da rede pública, a competitividade dos BEV desce de 76% para 62% dos perfis. A gasolina recupera espaço nos segmentos de entrada, mais sensíveis ao custo energético. Ainda assim, 67% dos perfis continuam a favorecer motorizações eletrificadas, demonstrando resiliência mesmo em condições menos favoráveis.
O estudo mostra ainda que, em utilizações mistas (50% profissional, 50% particular), a dedução parcial do IVA não compromete a competitividade dos elétricos: 73% dos perfis continuam a ser dominados por BEV e PHEV, apenas oito pontos percentuais abaixo da matriz base.
Mercado europeu acelera, mas renting abranda em 2025
Na Europa, as vendas de BEV cresceram 30% em 2025, atingindo 17,4% de quota e ultrapassando definitivamente o diesel (8,9%). Em Portugal, os BEV chegaram aos 23,2% de quota, mais 17% do que no ano anterior.
No renting, porém, registou‑se uma ligeira desaceleração (-0,6 p.p.), explicada pela chegada tardia de modelos do segmento B — prevista para 2026 — e pelas limitações da rede pública, sobretudo para utilizadores sem carregamento privado.
Atualmente, 40% da oferta de veículos de passageiros já é eletrificada, incluindo 28% de BEV. Em contraste, o diesel caiu 36% desde 2020 e representa apenas 18% do mercado, praticamente desaparecendo dos segmentos B e C. Nos segmentos D e E, a eletrificação atinge uma média de 84%.
Para António Oliveira Martins, diretor‑geral da Ayvens Portugal, os resultados mostram que a eletrificação das frotas “é já uma realidade consolidada em termos de competitividade”, mas a sua plena adoção dependerá da capacidade da infraestrutura acompanhar a procura.
O Estudo Mobilidade 2026 reforça assim a necessidade de uma estratégia integrada para apoiar empresas e gestores de frota num contexto de transformação acelerada da mobilidade.
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