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O fim de uma assinatura: A Tesla terá de redesenhar portas

A China decidiu proibir a venda de veículos equipados exclusivamente com puxadores de porta embutidos, uma medida que representa um forte revés para marcas como a Tesla, que popularizaram este design. A nova regulamentação, que entra em vigor a partir de 1 de janeiro de 2027, exige que todos os automóveis comercializados no país incluam mecanismos de abertura manual, tanto no exterior como no interior.

A decisão foi anunciada pelo Ministério da Indústria e das Tecnologias da Informação da China, que justificou a mudança com preocupações de segurança. As maçanetas embutidas, amplamente adotadas em veículos elétricos por seu perfil aerodinâmico e estético, podem tornar-se inoperáveis em caso de falha elétrica, dificultando ou mesmo impedindo o resgate em situações de emergência.

Várias vítimas

Um incidente ocorrido em outubro de 2025, envolvendo um carro elétrico da Xiaomi que pegou fogo após um acidente, trouxe à tona os riscos associados a este sistema. Os socorristas não conseguiram abrir as portas do veículo, resultando na morte do condutor. Este caso acelerou a adoção das novas normas, que incluem também a obrigatoriedade de sinalização clara para as aberturas internas.

puxadores

Os modelos já homologados terão um período de transição de dois anos para se adaptarem. No entanto, para a Tesla – que tem nas portas com maçanetas retráteis uma das marcas distintivas da sua linha de produção –, a medida representa um desafio significativo, uma vez que a China é o maior mercado global de veículos elétricos.

Problemas semelhantes já foram registados noutros países. Nos Estados Unidos, relatórios indicam que, numa década, pelo menos 15 mortes em acidentes com carros da Tesla estiveram relacionadas com a impossibilidade de abrir as portas. Na Alemanha, um acidente em setembro de 2025 resultou em três vítimas mortais após os socorristas não conseguirem aceder ao interior do veículo.

Especialistas em segurança automóvel, incluindo o ADAC, o maior clube automóvel europeu, alertam há anos para os perigos deste design, defendendo a existência de um sistema de abertura manual independente. A nova regulamentação chinesa reflete uma tendência global de priorizar a segurança em detrimento de inovações estéticas que possam colocar vidas em risco.

 

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