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Nissan inventa “bateria móvel” para carros elétricos

bateria móvel

A integração das baterias no chassis é uma das inovações tecnológicas mais significativas no design de veículos elétricos (EVs) modernos, certo? Errado! A Nissan parece estar já um passo à frente. Documentos recentemente revelados mostram que a marca japonesa registou uma patente no mínimo surpreendente: um sistema que permite à bateria de um veículo elétrico deslocar-se dentro da estrutura do carro, funcionando como um contrapeso dinâmico.

A informação, divulgada por um órgão de comunicação australiano especializado em patentes automóveis, descreve um mecanismo que coloca a bateria – habitualmente um dos componentes mais pesados de um EV – sobre uma estrutura equipada com motores elétricos. Esses motores, controlados por sensores, câmaras e acelerómetros, podem deslocar a bateria longitudinal ou transversalmente consoante as necessidades de condução.

Peso que pesa a favor

A ideia contraria a tendência dominante no setor, especialmente entre os construtores chineses, que têm apostado no conceito “cell to body” – a integração total da bateria na estrutura do veículo para aumentar rigidez e segurança. A BYD, por exemplo, foi pioneira neste conceito com a bateria Blade, seguida agora por várias marcas europeias.

A Nissan propõe exatamente o oposto: em vez de fixar a bateria, prefere dar-lhe mobilidade. O objetivo? Utilizar a sua massa – que pode ascender a várias centenas de quilogramas – para melhorar o comportamento dinâmico do veículo.

O princípio é semelhante ao utilizado em alguns modelos de alta cilindrada, como o Porsche Cayenne, que prescinde de barras estabilizadoras convencionais recorrendo a sistemas ativos de controlo de movimento. No caso da Nissan, é a própria bateria que assume essa função.

Modo desportivo com nova interpretação

De acordo com a descrição da patente, o sistema analisa em tempo real o estilo de condução e as condições da estrada, determinando se é necessário – e em que medida – deslocar a bateria. A tecnologia poderá estar associada aos modos de condução mais desportivos, onde a distribuição de pesos é particularmente crítica.

A ideia ganha ainda mais relevância quando se considera a tendência atual de controlo vetorial de binário em cada roda, já aplicada em modelos como o futuro BMW M3 elétrico. A possibilidade de combinar esse controlo com uma bateria móvel abre cenários interessantes em termos de agilidade e precisão direcional.

Do papel à estrada?

A questão que se coloca é: esta tecnologia chegará efetivamente à produção? As patentes servem frequentemente para proteger ideias que podem nunca sair do papel, mas a Nissan tem um histórico de inovação neste domínio – foi, afinal, uma das pioneiras da mobilidade elétrica moderna com o Leaf.

A marca confirmou recentemente estar a desenvolver um novo Nissan Skyline, o que alimenta especulações sobre a possibilidade de este sistema vir a equipar um futuro desportivo elétrico da casa. Transformar o peso, tradicionalmente visto como um dos maiores handicaps dos elétricos, num aliado da performance seria, sem dúvida, um marco tecnológico.

Por enquanto, ficamos a aguardar que a Nissan revele mais detalhes sobre esta ideia – e, quem sabe, um dia possamos ver um elétrico a dançar nas curvas com a ajuda do seu próprio lastro.

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