Para quem se lembra, o nome i3 não é novo. Entre 2013 e 2022, a BMW usou-o num pequeno monovolume urbano com menos de 4 metros e umas rodas… digamos… peculiares (com 155 mm de largura, pareciam de bicicleta). Desse, ficou só o nome. O novo i3 assume um papel de muito maior importância e relevo, o de alter ego elétrico do Série 3, pilar fundamental da marca, representando o seu modelo mais vendido.
A produção arranca em agosto em Munique e, se nada mudar até lá, quando as primeiras unidades chegarem no outono, vão trazer consigo o invejado estatuto de automóvel elétrico com a maior autonomia homologada em Portugal: 900 km com uma só carga!
Com 4,76 m de comprimento, 1,87 m de largura, 1,48 m de altura e uma distância entre eixos generosa de 2,90 m, o i3 posiciona-se no coração do segmento D. É ligeiramente mais curto que um i4, mas mais largo e mais alto.
Já em relação ao Série 3 térmico, cresce 4,7 cm no comprimento, 3,8 cm na largura, 4,0 cm na altura e mais 4,6 cm de distância entre eixos, embora as linhas aerodinâmicas disfarcem bem o aumento de porte.
Na estética, o destaque vai para o design frontal é uma evolução do iX3, com os “rins” agora integrados nos faróis por uma tira de LED. Os puxadores de portas são escamoteáveis (eletricamente, claro) e as jantes podem ir até 21 polegadas.
400 km em 10 minutos? Dá tempo para um café, se a fila não for longa…
O segredo para tamanha autonomia está na bateria. São 108,7 kWh de capacidade, com células cilíndricas (46 mm de diâmetro por 95 mm de altura) e arquitetura de 800 volts. Mas a velocidade de carregamento do i3 é um argumento tão forte quanto a distância que anuncia.
Em 10 minutos não acaba de ver um episódio dos Simpsons, e só consegue terminar o café se a fila na máquina for curta. Pois é exatamente esse o tempo que o novo BMW elétrico precisa para recuperar 400 km de autonomia num carregador de 400 kW. Em corrente alternada, o carregador de bordo é de 11 kW (opcional de 22 kW).
Mais longe que a concorrência
A marca alemã anuncia os 900 km, mas com uma ressalva: é uma estimativa, porque o ciclo WLTP ainda não deu o veredito final. Se confirmado, o i3 será o elétrico com maior alcance em Portugal, batendo o Mercedes-Benz CLA (790 km), o Tesla Model 3 (750 km) e o Volkswagen ID.7 (702 km). A nível europeu, só o Lucid Air Grand Touring (960 km) o supera. Mas isso são contas de outro rosário.
De série, traz condicionamento térmico da bateria, carregamento bidirecional V2L (até 3,7 kW) e V2H (para alimentar a casa). Até a tampa do carregador é inteligente: abre automaticamente quando deteta que estás numa estação de carregamento. Sim, o carro sabe onde estás e prepara-se para a “refeição”.
Habitáculo: digital e sem mistérios (para quem já conhece o iX3)
Por dentro, o i3 é um iX3 disfarçado. O painel é dominado por um ecrã central de 17,9 polegadas (resolução 4K) e pelo sistema BMW Panoramic Vision, que projeta informação em toda a largura da base do para-brisas. Há um head-up display opcional, mas confesso que, com o Panoramic Vision, parece um bocadinho a mais. O volante de quatro raios pode não agradar a todos, mas há alternativas convencionais. O sistema operativo é o novo BMW Operating System X.
Em termos práticos, há duas bagageiras: a principal atrás (volume ainda por revelar) e uma frunk dianteira com 31 litros. Não é muito, mas dá perfeitamente para os cabos de carregamento e mais alguns pertences.
Bateria também é estrutura
A construção é inovadora: a bateria integra-se no chassis como elemento estrutural (Pack-to-open-body), o que melhora a rigidez, baixa o centro de gravidade e permite um piso plano. A suspensão é McPherson na frente e multibraços atrás, com molas helicoidais e amortecedores adaptativos. Quem quiser pode optar pela suspensão M adaptativa, com regulação eletrónica de firmeza.
