Longe vão os tempos em que as tecnologias mais inovadoras se apresentavam ao mundo em “embalagens” estranhas e com excesso de futurismo. O Hyundai Nexo é um modelo das novas alternativas, com propulsão a hidrogénio, capaz de anunciar 700 km de autonomia limpa com um “abastecimento” rápido como um carro a gasolina, e o formato SUV da moda, o que aumenta fortemente o seu potencial de conquista, por combinar com “a pele” (leia-se, as preferências) das maioria dos clientes na Europa.
Agora, sendo verdade que o hidrogénio tem potencial para ser uma parte importante do futuro dos veículos elétricos, especialmente em setores de difícil descarbonização. Não é menos verdade que a sua adoção generalizada enfrenta desafios significativos, particularmente em países como Portugal, onde a infraestrutura de abastecimento é ainda muito limitada.
O Hyundai NEXO representa um marco tecnológico importante, mas o seu sucesso depende de investimentos robustos em infraestrutura e de superação de barreiras económicas e técnicas.
Vantagens do Hyundai NEXO e da tecnologia de hidrogénio
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Abastecimento rápido e autonomia elevada: O NEXO oferece uma autonomia de mais de 700 km com um tempo de abastecimento de apenas 5 minutos, tornando-o tão conveniente quanto os veículos a combustão tradicional.
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Zero emissões poluentes: Ao utilizar uma célula de combustível de hidrogénio, o NEXO emite apenas vapor de água e inclui um sistema de filtragem que purifica o ar durante a circulação.
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Desempenho e tecnologia avançada: Com uma potência de 190 kW (258 cv) e aceleração de 0-100 km/h em 7,8 segundos, o NEXO combina alto desempenho com tecnologias inovadoras, como painéis digitais curvos, assistência à condução avançada e função vehicle-to-load (V2L).
Desvantagens e desafios
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Ineficiência energética: A produção de hidrogénio verde através de eletrólise consome muita energia, resultando em perdas significativas ao longo do processo.
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Falta de infraestrutura em Portugal: Atualmente, existem apenas dois postos de abastecimento de hidrogénio em Portugal (em Vila Nova de Gaia e Cascais), o que limita severamente a praticidade destes veículos.
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Custos elevados: O preço do hidrogénio por 100 km é estimado em cerca de 10€, comparado com 3.36€ para um veículo elétrico a bateria. Além disso, o preço de aquisição do NEXO ronda os 80.000€, tornando-o menos acessível.
Contexto português e planeamento futuro
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Estratégia nacional de hidrogénio: Portugal prevê a instalação de 50 postos de abastecimento de hidrogénio até 2030, de acordo com o Plano Nacional do Hidrogénio.
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Projetos de investimento: Está planeada a injeção de hidrogénio verde na rede de gás natural da região de Lisboa até 2027, abrangendo meio milhão de clientes domésticos e 1300 industriais..
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Preocupações ambientais: Associações ambientalistas como o GEOTA e a Zero alertam que investimentos em infraestruturas de gás natural, incluindo misturas de hidrogénio, podem comprometer as metas climáticas nacionais.
Conclusão: O hidrogénio no futuro da mobilidade
O Hyundai NEXO demonstra que a tecnologia de hidrogénio pode oferecer desempenho, conveniência e sustentabilidade. No entanto, o seu futuro em Portugal depende:
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Da expansão rápida da infraestrutura de abastecimento.
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Da redução de custos de produção e abastecimento de hidrogénio verde.
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Do alinhamento com políticas nacionais e europeias de descarbonização, focando-se em setores onde a eletrificação é difícil, como transportes pesados e indústria.
Enquanto os veículos elétricos a bateria continuam a dominar o mercado português, o hidrogénio pode vir a complementar a mobilidade sustentável, especialmente em aplicações específicas onde a autonomia e o tempo de abastecimento rápido são críticos.
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