Hoje, 13 de fevereiro, celebra-se o Dia Mundial da Rádio. E se há lugar onde este meio continua mais vivo do que nunca, é dentro do automóvel. Em Portugal, cerca de 70% do consumo de rádio acontece ao volante — são as notícias da manhã, a música para a viagem, os avisos de trânsito e aquela voz conhecida que nos faz companhia até ao destino.
Mas nem sempre foi assim. A história da rádio no carro é feita de coragem, inovação e, curiosamente, de alguma polémica. E começa há mais de 100 anos.
1922: o primeiro rádio (que ninguém comprou)
Tudo começou em 1922, quando um jovem de 18 anos, George Frost, instalou um recetor num Ford T. Mas a verdadeira estreia comercial aconteceu ainda nesse ano: a Chevrolet ofereceu o primeiro rádio como acessório oficial. O aparelho era da Westinghouse, e era tudo menos prático.
Uma rede de malha metálica cobria praticamente todo o tejadilho para captar o sinal. As baterias, enormes e pesadas, instalavam-se debaixo dos bancos dianteiros, e duas colunas de grandes dimensões ocupavam o espaço atrás do banco traseiro.
O preço? Cerca de 200 dólares — quase um terço do custo total do carro (que rondava os 600 a 800 dólares na época). Entre o preço proibitivo e a fraca qualidade do sinal com o carro em movimento, as vendas foram reduzidas.
Dos anos 30 à Motorola: o rádio ganha tração
Foi na década de 1930 que a tecnologia deu um salto. Em 1932, a Bosch apresentou na Europa o primeiro rádio automóvel produzido em massa. Pouco depois, nos EUA, a Motorola lançou o famoso modelo 5T71, considerado o primeiro rádio auto com verdadeiro sucesso comercial.
Mas a novidade não agradou a todos. Nos EUA, alguns estados chegaram a propor leis para proibir os rádios nos carros, com o argumento de que distraíam os condutores e causavam acidentes. A polémica não vingou — e ainda bem. O bom senso (e a vontade dos condutores) falou mais alto.
A evolução não parou mais
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Anos 50: Chegou a FM, com melhor qualidade sonora, e os primeiros botões de presintonias.
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Anos 60: O transístor substituiu as válvulas — rádios mais pequenos, mais baratos. Surgiram as fitas cassete e o som estéreo.
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Anos 80: O CD invadiu os painéis, prometendo qualidade digital.
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Anos 90 e 2000: A navegação GPS, o Bluetooth e os sistemas de infotainment transformaram o rádio numa central multimédia.
E o futuro?
O tema do Dia Mundial da Rádio de 2026 é particularmente desafiante: “A Inteligência Artificial e o Futuro da Rádio”. Numa era de algoritmos e playlists automáticas, a questão que se coloca é se a rádio conseguirá manter a tal ligação humana que a torna única.
Seja por FM, DAB+, streaming ou comando de voz, uma coisa é certa: a rádio continua a ser a banda sonora das nossas estradas. Da próxima vez que entrares no carho e ligares o rádio, lembra-te: estás a participar numa história com mais de um século — que começou com um tejadilho forrado a rede, um punhado de baterias e a teimosia de quem achou que a música também devia viajar.
Feliz Dia Mundial da Rádio!
